17/02/2009 13h02

Vencedora em Berlim afirma que cinema latino deve mostrar diversidade

Da Redação

Foto: Divulgação
A peruana Claudia Llosa, vencedora do Urso de Ouro do Festival de Berlim pelo filme La Teta Asustada, defendeu que o cinema latino-americano deve refletir a diversidade presente nos países. "Necessitamos de mais vozes que mostrem outras facetas de nossos países. Temos que, aos poucos, romper com esse olhar estereotipado que enxerga nesses filmes [com temática indígena] o exótico ou acha que queremos mostrar a miséria para vender", afirmou a cineasta em entrevista à Folha de S. Paulo.

O longa de Llosa é baseado no mito de que as mulheres estupradas durante a violência política no Peru entre 1980 e 2000 traumatizavam seus filhos ao dar-lhes o seio para mamar (em inglês, o filme ganhou o título de "o leite da mágoa"). Fausta (Magaly Soler) é uma dessas garotas que nasceram "assustadas", cuja mãe expressou, no leito de morte, o desejo de ser enterrada em seu povoado natal.

"É um medo invisível que nossa geração leva", explicou a diretora de 32 anos, que tem apenas um longa no currículo, Madeinusa (2006), exibido no Festival de Gramado. "Queria me referir à permanência perpétua da ferida. Falar das feridas emocionais que provoca uma guerra civil, uma guerra entre irmãos, e como isso se transmite de geração a geração".

Ao ser anunciado o seu filme como o vencedor do Festival de Berlim, Llosa subiu ao palco com a equipe, tremendamente nervosa. "Ai, só um momento, por favor", pediu. Mas quem roubou a cena foi Magaly Solier, protagonista do filme. "Quero agradecer à minha mãe e a todas as mulheres do meu querido Peru". Em seguida, a atriz cantou uma canção em quecha, um dos diversos dialetos andinos.
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