Foto: Angélica Bito
Sérgio Rezende é o tipo de diretor que gosta de envolver o espectador tendo como base histórias reais. Mas, se em seu trabalho,
Zuzu Angel (2006), ele desenvolveu uma história inteiramente apoiada nos fatos reais, em
Salve Geral ele trabalha uma história de ficção que culmina num fato da história brasileira recente: o dia em que São Paulo parou.
Em 2006, ataques de membros Partido do Comando da Cidade – grupo articulado de presidiários que ocupam o Brasil todo – a São Paulo fizeram com que a maior cidade do pais parasse. Aqui, Rezende fala sobre o que mudou em seu trabalho neste novo filme e, principalmente, sobre o que pretendia com
Salve Geral, seu 12º longa-metragem. “Achei que podia fazer um filme multifacetário, contar esta história sob pontos de vistas de muitos personagens”, explica o diretor.
Assim como em
Zuzu Angel, o cineasta coloca em primeiro plano a luta de uma mãe em defesa do filho. A relação, no entanto, é somente pano de fundo para o desenvolvimento de outros conflitos, que correm paralelamente até culminarem no Dia das Mães de 2006. “Evidentemente, se fosse para fazer um filme somente sobre a mãe, não precisaria falar desse rolo todo, poderia ser um filme intimista rodado em Barbacena sobre uma mãe correndo atrás de um filho que foi preso lá”, explica Rezende. “Essa mãe é o fio condutor e é, de uma certa maneira, a minha visão.”
O cineasta também revela que mudou um pouco seu método de trabalho em
Salve Geral: “Os atores marcavam a cena, resolvi não ficar controlando porque este filme é sobre descontrole, como a gente tenta controlar as coisas em todas as instâncias, sendo que elas são descontroláveis e como isso nos aproxima do caos.”
Salve Geral, representante brasileiro na possível disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010, estreia sexta-feira (2/10) nos cinemas. Leia a
entrevista completa com Rezende e com
Andréa Beltrão, protagonista do drama.