16/06/2009 15h06

Selton Mello enxerga espírito caipira em comum com Jean Charles

Heitor Augusto

Selton Mello, protagonista de <strong>Jean Charles</strong>
Foto: Não definido

Nascido em Passos (Minas Gerais), cidade com 166 mil habitantes, Selton Mello classificou como um retorno às origens interpretar Jean Charles de Menezes, conterrâneo de Gonzaga, cidade com 6 mil habitantes, eletricista assassinado pela polícia britânica em 2005.

“Há um caipirismo em comum entre intérprete e personagem. A maneira que ele se assombrou com Londres não é muito diferente de quando vim para São Paulo”, afirmou o ator na coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (16/06) em são Paulo. Selton é o protagonista de Jean Charles, filme que se dedica a reconstruir a alegria e a vitalidade de seu personagem, em vez de priorizar o aspecto político e o acobertamento dos criminosos pelo governo britânico.

Abordagem que fica clara nas palavras do diretor Henrique Goldman (Princesa). “Queríamos um filme para celebrar sua vida, não sua morte. Celebrar também esses brasileiros em Londres, sem tratá-los como ‘pobres coitados’”, afirma. Não é à toa que Goldman utilizou diversas vezes a palavra “celebrar”. “O filme não é uma declaração política”.

Opinião corroborada por Selton. “Acho que o filme conta a história de um cara, que erra, acerta, bate cabeça, enfim, como nós. Na verdade, é sobre um cara como qualquer outro”. O filme, que estreia na próxima semana (26/06), não fala apenas de Jean Charles, mas de uma porção de brasileiros, mineiros e goianos em sua maioria. Realismo e reconstrução cinematográfica estão aliadas para dar fidelidade ao espectro retratado.

Jean Charles tem no elenco Luís Miranda como Alex e Vanessa Giácomo como Viviane, respectivamente amigo e prima de Jean. Atores profissionais convivem com não-profissionais, entre eles Patrícia, outra prima do eletricista assassinado, e Maurício, dono de uma construtora que emprega muitos brasileiros ilegais. “Usamos a estrutura do real para contar uma história ficcionalizada de maneira a torná-la ainda mais real”, tenta explicar o diretor.

Apesar de priorizar os momentos de Jean em vida, Goldman não nega as possíveis repercussões do filme sobre os desdobramentos do caso, ainda aberto – nenhum policial foi acusado ou indiciado. “Mas isso foge das minhas mãos”. Um dos momentos em que o filme priorizou uma reconstituição fiel foi na cena da morte. “Eu cheguei a ligar para o chefe da corregedoria da polícia britânica para checar todos os detalhes. Mesmo porque a cena pode ter implicações legais e buscamos ser o mais preciso possível”.

Jean Charles será um dos grandes lançamentos do cinema brasileiro neste primeiro semestre – ao lado de produções como Se Eu Fosse Você, Divã e A Mulher Invisível. A distribuidora Imagem Filmes planeja inicialmente distribuir cerca de 160 cópias nos cinemas. “Acho que o filme [veja trailer] tem potencial”, afirma o produtor Carlos Nader.

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
lili - 19/06/2009 13:09
vc é muito idiota, arrogante!
Jorge Antonio de Olivera Pinto - 17/06/2009 08:55
Realmente, soou mal essa estória de que o filme é uma celebração à vida de Jean Charles mas não entendo porque alguns defendem que a história do filme é idiota. Se formos parar para pensar, então apenas 1% de todos os filmes feitos no mundo são realmente dignos de alguma coisa positiva.
Luizão - 17/06/2009 00:15
Eta papinho antigo desse tal de Lucas
Gil Queiroz - 16/06/2009 21:42
Como é que é? Celebrar a vida de Jean? Filme despolitizado porque não sei o que? Selton Melo acha analogia de caipirismo entre sei lá o que? Quanta bobagem e demagogia, filminhos brasileiros que só tratam dessas asneiras. Quando será que o Brasil vai produzir grandes filmes com conteúdo de verdade, a não as favelas, o sertão, o tráfico, as drogas, as armas, etc?
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