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Vincere é um exemplo de bom argumento que se perde quando é desenvolvido para se tornar um roteiro. Faltam subtramas e personagens além de sua protagonista, Ida (Giovanna Mezzogiorno).
O longa de Marco Bellocchio (
De Punhos Fechados) acompanha a história dessa mulher, que teve um romance e engravidou de Benito Mussolini antes da criação do Partido Fascista. Quando ele gradativamente se torna a figura mais importante da Itália, ela perde espaço. Para que ele exista, ela tem de ser anulada.
Vincere tem um desejo constante de mostrar a importância de não aceitar uma mentira e resistir para que a verdade seja descoberta, mesmo que anos depois. Tem razão – sem contar que esse tema foi muito bem abordado por
Katyn, de Adrzej Wajda.
A difrença entre os dois cineastas, que sabem filmar muito bem, é o roteiro. Enquanto o polonês envolve outros personagens em torno de seu tema, o italiano foca apenas a luta de Ida. Isso faz com que o filme cause duas sensações indesejadas.
A primeira é a perda da paciência, já que a condução do drama de sua heroína não é suficiente para preencher 128 minutos de filme. A segunda é o caráter particular que ela adquire. Parece não se tratar mais de Ida e o ditador da Itália, mas de uma mulher qualquer que é oprimida por um homem qualquer que tenha poder.
O problema é que não é um homem qualquer, mas Mussolini. E, sem diminuir a importância e o quão algoz ele foi na vida de Ida, o
Duce coleciona outras dezenas de episódios mais horrendos do que esse.
É importante, nobre e com potencial cinematográfico ressaltar que, em momentos ditatoriais, não aceitar a mentira oficial ajuda a mudar o curso da História. Mas é preciso mais do que isso para transformar o tema em um filme.
Vincere ainda terá mais três sessões no Festival do Rio: nesta sexta-feira (2/10), às 21h50, no Estação Vivo Gávea 5; na segunda-feira (5/10), às 12h15 e 19h15 no Espaço de Cinema 2.