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Sérgio Bianchi (
Quanto Vale ou É Por Quilo?) mantém seu estilo combativo e o prazer por tocar em feridas. Porém,
Os Inquilinos, seu sexto longa-metragem, apresenta um tom mais calmo, com mais espaços para dúvidas em torno de seus personagens.
“Sou um cineasta pré-marxista, que coloca as diferenças culturais em cima das diferenças de classe”, definiu o diretor nesta quarta-feira (30/09) em debate com o público no Festival do Rio. Ao citar essas duas camadas, o diretor paranaense se refere ao pensamento de Karl Marx a respeito de infra-estrutura (relações de produção) e super-estrutura (ideologia).
O cineasta defendeu o seu olhar para o cinema e seu novo longa, que acompanha o cotidiano de Valter (Marat Descartes), trabalhador de subemprego que mora na periferia com mulher e dois filhos. Seu cotidiano é abalado quando ele tem de conviver com os novos vizinhos, relação que dá origem ao subtítulo do filme,
Os Incomodados que Se Mudem.
“Eu vejo as coisas como formação de classes, óbvio que com nuances. Minha visão não é estanque”.
Os Inquilinos é construído por camadas. A primeira dela é o desconforto e a sensação de sufoco do protagonista ao perceber, gradativamente, que não tem ferramentas para lidar com o mundo ao seu redor.
“É difícil apontar a mensagem da história. Uma coisa que me motivou enquanto eu escrevia era passar a sensação de claustrofobia e levantar expectativas no espectador. Ele não sabe o que esperar, mas pode deduzir que algo muito ruim virá”, ilustra a roteirista Beatriz Bacher.
O longa inicia-se de maneira prosaica, como um olhar sobre o cotidiano de uma família que poderia ser qualquer outra. Aos poucos, e de maneira sutil, cresce o clima de suspeitas, dúvidas, ameaças e iminente tristeza.
Foram 12 semanas de filmagem na Brasilândia, zona oeste de São Paulo. A casa em que se passa a história foi construída pela produção e seria deixada para a associação do bairro. Para rodar no local, tiveram de pedir autorização tanto para a associação quanto para membros do tráfico da favela vizinha.
Os Inquilinos, que concorre ao Troféu Redentor do Festival do Rio, ainda terá sessões na quinta-feira (1/10), às 15h30 e 22h30, ambas no Est. Vivo Gávea 3.