30/09/2009 18h09

RIO 2009: Sérgio Bianchi aposta na claustrofobia social em novo filme

Heitor Augusto, enviado especial ao Rio de Janeiro

Foto: Divulgação
Sérgio Bianchi (Quanto Vale ou É Por Quilo?) mantém seu estilo combativo e o prazer por tocar em feridas. Porém, Os Inquilinos, seu sexto longa-metragem, apresenta um tom mais calmo, com mais espaços para dúvidas em torno de seus personagens.

“Sou um cineasta pré-marxista, que coloca as diferenças culturais em cima das diferenças de classe”, definiu o diretor nesta quarta-feira (30/09) em debate com o público no Festival do Rio. Ao citar essas duas camadas, o diretor paranaense se refere ao pensamento de Karl Marx a respeito de infra-estrutura (relações de produção) e super-estrutura (ideologia).

O cineasta defendeu o seu olhar para o cinema e seu novo longa, que acompanha o cotidiano de Valter (Marat Descartes), trabalhador de subemprego que mora na periferia com mulher e dois filhos. Seu cotidiano é abalado quando ele tem de conviver com os novos vizinhos, relação que dá origem ao subtítulo do filme, Os Incomodados que Se Mudem.

“Eu vejo as coisas como formação de classes, óbvio que com nuances. Minha visão não é estanque”. Os Inquilinos é construído por camadas. A primeira dela é o desconforto e a sensação de sufoco do protagonista ao perceber, gradativamente, que não tem ferramentas para lidar com o mundo ao seu redor.

“É difícil apontar a mensagem da história. Uma coisa que me motivou enquanto eu escrevia era passar a sensação de claustrofobia e levantar expectativas no espectador. Ele não sabe o que esperar, mas pode deduzir que algo muito ruim virá”, ilustra a roteirista Beatriz Bacher.

O longa inicia-se de maneira prosaica, como um olhar sobre o cotidiano de uma família que poderia ser qualquer outra. Aos poucos, e de maneira sutil, cresce o clima de suspeitas, dúvidas, ameaças e iminente tristeza.

Foram 12 semanas de filmagem na Brasilândia, zona oeste de São Paulo. A casa em que se passa a história foi construída pela produção e seria deixada para a associação do bairro. Para rodar no local, tiveram de pedir autorização tanto para a associação quanto para membros do tráfico da favela vizinha.

Os Inquilinos, que concorre ao Troféu Redentor do Festival do Rio, ainda terá sessões na quinta-feira (1/10), às 15h30 e 22h30, ambas no Est. Vivo Gávea 3.
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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Márcia - 09/10/2009 09:56
BOA NOTÍCIA!!!! Com esperança (e teimosia) que ainda acredito na construção de um país melhor, a partir da exposição dos absurdos que constituem a pobre mentalidade social que caracteriza o fazer de nossa sociedade. Sérgio Bianchi, apesar de eu não ter assisitido ao filme premiado, tenho certeza que mais uma vez, imprimiu sua ácida marca criativa à exposição da barbárie. Não vejo hora de assistir ao filme!!!!
Luiz Alberto - 09/10/2009 09:38
Enquanto houver essa visão marxista rasteira no cinema brasileiro, nossos filmes sempre serão os piores do mundo e comerão dinheiro público para revelar às pessoas a forma como o mundo funciona.
Urubuzada - 05/10/2009 13:12
Sem dúvida esse foi o melhor filme do festival do rio e certamente será o melhor filme nacional do ano ...
Bianchi como sempre expõe de maneira muito clara , mas sem dar lições a ninguém , as mazelas de nossa sociedade em que só há um paradigma : Ricos (distantes das questões socio-culturais) e Pobres que sofrem com o lixo produzido pela burguesia que invade suas vidas, transformando bairros pobres em verdadeiros lixões sociais-culturais .
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