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Em 1946, o ator Robert Montgomery realizou um filme
noir,
A Dama do Lago, em que o protagonista não era visto a não ser quando se olhava no espelho. Tratava-se de um experimento fadado ao fracasso: mostrar para o público a visão do personagem, única e soberana na narrativa. Um fracasso simpático, diga-se de passagem.
Walter Hugo Khouri foi outro que experimentou a técnica. Foi em 1981, com o filme
Eros, de resultados bem interessantes. No filme, o protagonista vive à caça de belas mulheres, o que facilita nossa empatia por sua visão.
Agora vem o diretor romeno Adrian Sitaru realizar um filme, intitulado
Piquenique, em que só vemos câmera subjetiva, mas de todos os personagens que aparecem em cena. O ponto de vista muda, mais ou menos de forma arbitrária, de acordo com quem estiver em cena. O resultado é cansativo e pode levar às náuseas, por que no mais é apenas uma desculpa para filmar à moda do dia, com aquela câmera trêmula que não sabe muito bem o que mostra.
Um casal atropela uma prostituta que de boba não tem nada. É, no fundo, uma espécie de anjo erótico, que prova o amor do casal com testemunho de alguns passantes em uma região bucólica e quase deserta. Podia causar estranhamento, mas só propicia o enfado. Podia revelar uma câmera interessante e questionadora, mas só quer estar na crista da onda, o que é lamentável.
Dia 1º/10 (quinta-feira), às 22h10, no Estação Vivo Gávea
Dia 2/10 (sexta-feira), às 16h10 e 0h, no Espaço de Cinema 3