03/10/2009 14h10

Rio 2009: O cinema perdendo espaço

Sérgio Alpendre, do Rio de Janeiro

Cartaz Festival do Rio 2009
Foto: Divulgação
Há um costume oficializado que é bem nocivo no Festival do Rio. É a prática das carteiradas. Consiste na necessidade de economia de ingressos por parte dos compradores de passaporte e jornalistas credenciados, que se vêem obrigado a entrar somente com a credencial (ou o passaporte), sem retirar ingresso, nas sessões realizadas nos cinemas do grupo Estação.

A princípio, nada há de errado com o exercício dessa prática. Normal que tenham que esperar a entrada dos espectadores que compraram ou retiraram ingressos, e, por isso, têm direito à escolha de um bom lugar.

O problema acontece por causa de uma certa má vontade dos responsáveis pela entrada nas salas, e da orientação dada pelos gerentes desses espaços. A ordem é evitar a fraude a qualquer custo. Para isso, recorre-se à velha mania de tratar todos os espectadores, sem exceção, como criminosos em potencial. Identidades são pedidas, conferidas, às vezes demoradamente, numa suspensão completa da civilidade. Daqui a pouco vão exigir certidão de nascimento, título de eleitor, cartão de crédito válido, etc. Mais grave: na maior parte das vezes a entrada dos sem-ingresso só é permitida com a sessão já começada, não raro com o próprio filme em andamento.

Ora, se o propósito do festival é proporcionar um banquete de filmes, por que dificultar a participação nesse banquete? Por que não aumentar o número de ingressos a que cada permanente/credencial tem direito, para evitar ao máximo essa prática constrangedora de ter que aguardar a sessão começar para entrar na sala?

Esse é o ponto mais baixo de um festival que compete ano a ano com a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo pela supremacia da desorganização e da falta de respeito com o consumidor. Se continuar essa escalada do absurdo nos dois maiores festivais internacionais do país, o exercício da cinefilia vai se tornar definitivamente algo proibitivo para quem realmente ama o cinema, para além de desconfianças e descréditos dos organizadores. As projeções digitais já contribuem, e muito, para isso. Imaginem a carteirada para um filme que terá exibição tosca em DVcam. É o apocalipse da experiência com a tela grande. Mais um episódio para colaborar com o ocaso da magia como a conhecemos. Triste.
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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Bruno Muller Sampaio - 03/10/2009 22:15
Uma piada esta reclamação. Não sei da Mostra SP, mas chamar o Festival do Rio de desorganizado e de faltar ao respeito com o consumidor é indecente. Falhas existem, mas a estrutura geral é mais do que positiva.

E tem mais: conheço credenciados de mercado e imprensa no Festival do Rio. As credenciais oscilam entre 20 e 30 ingressos, mais do que razoável. Mas as pessoas querem ver 50, 60, filmes e torram-na com uma velocidade espantosa. Já no começo da segunda semana precisam dar carteirada, e aí querem sentar numa boa em sessões de filmes lotadas, com público pagante, ou sentar imediatamente em sessões com pouca gente sem passar por um mínimo de checagem e atenção.

Não dá.

Frequentei já o festival de Toronto algumas vezes. Lá não teria essa moleza nem de longe.
Janaina Pereira - 03/10/2009 21:45
Sérgio, fomos apresentados na rua, outro dia, pela Paula Ferraz. Concordo com tudo que você disse. Retirei todos os ingressos que tinha direito, mas estou aqui a trabalho e, óbvio, não vou ver só 15 filmes. Pior que tem gerente que diz que o cinema está lotado, quando não está, e impede os credenciados de entrar. Simplesmente lamentável. Bom trabalho para nós, apesar de tudo! Jana
hakaima - 03/10/2009 17:44
retirem seus ingressos com antecedência e deixem de choramingar, pelo amor de deus.
Flávia - 03/10/2009 14:54
Isso é realmente um grande absurdo, todos nós devemos ser vistos com os mesmos olhos, onde todos nós devemos ter os mesmos direitos e princípios!
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