29/09/2009 12h09

RIO 2009: Marion Cotillard influenciou filme sobre Amália Rodrigues, afirma protagonista

Heitor Augusto, enviado especial ao Rio de Janeiro

Foto: Divulgação
Dez anos após sua morte, Amália Rodrigues permanece como o maior nome da história da música portuguesa. Conhecida como Rainha do Fado e dona de uma vida pessoal dramática, ela ganha seu retrato no cinema por meio da cinebiografia Amália.

Sandra Barata Belo, atriz portuguesa de teatro e televisão, afirma que o filme Piaf – Um Hino ao Amor e a atuação de Marion Cotillard serviram de inspiração para compor o retrato de Amália. “São histórias parecidas, dramáticas e intensas. Para mim, foi uma grande meta o que Marion fez com Édith Piaf, achei que era uma boa referência”, afirmou em entrevista ao Cineclick.

A atriz, estreante no cinema, não é a única a admitir que o filme que rendeu o Oscar de Melhor Atriz à Marion Cotillard serviu de inspiração. “Foi uma referência nítida. Piaf e Amália viveram mais ou menos na mesma época, tiveram tristezas e passaram pelos mesmos palcos do mundo. Também nasceram muito pobres e cresceram na música. Seria muito difícil fugir disso”, explica o diretor Carlos Coelho da Silva (O Crime do Padre Amaro).

Amália abarca parte da infância da cantora, na qual ela cantarolava a pedido dos avós e vizinhos, mas se desenvolve a partir da primeira vez que ela pisa, de fato, num palco. Por meio das músicas, atravessa os principais episódios na vida da Rainha do fado.

“Nosso critério para a escolha das músicas que entrariam no filme é, primeiro, incluir as mais importantes e, depois, também pensar nas canções que ajudariam a contar sua história”, ilustra o diretor.

Para a protagonista, a fase mais complicada a ser interpretada foi o momento em que a cantora quis se matar após descobrir um tumor no cérebro. “Poxa, na época eu tinha 29 anos, interpretando uma mulher de 64. Eu até conseguia imaginar uma de 40, mas não tinha referências. Tive de olhar para a minha avó, tia e também fazer um grande trabalho de introspecção e tentar ser franca com o que estava sendo dito”.

Além de Piaf - Um Hino ao Amor, Sandra destaca outras cinebiografias que auxiliaram no trabalho. “Quando eu era mais jovem assisti ao The Doors, de Oliver Stone. Também me ajudar Control, sobre o Joy Division, e Ray, do Ray Charles”, complementa.

Um período complicado na vida da cantora é a ditadura de António de Oliveira Salazar. Como ilustra o filme, em uma apresentação após a redemocratização, em 1974, Amália é acusada de fascista. “Acho que o povo português tem uma recordação agradável dela, porque ela projetou a imagem do país no mundo, um estilo de mulher moderna. Ela não tem propriamente inimigos, os que surgiram à época foram frutos de más interpretações e leituras precipitadas”, defende o diretor.

Amália, que integra a seleção Panorama Mundial do Festival do Rio, ainda não tem distribuição no Brasil.
BUSCA
Spacer
OK
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
AINDA NÃO EXISTEM COMENTÁRIOS POSTADOS
Veja o cineclick também no: twitter orkut
logo_flying_fishes