Foto: Divulgação
Noite de muitos flashes e lotação máxima no Cine Odeon.
Cabeça a Prêmio, estreia do ator Marco Ricca (
Verônica) na direção de um longa-metragem, encerrou na noite desta quarta-feira (5/10) a competição de ficção da Première Brasil do Festival do Rio.
Após a primeira exibição oficial de seu filme, à qual assistiu de pé no fundo da sala, Ricca estava suando enquanto recebia cumprimentos de colegas como Giulia Gam (
A Guerra dos Rocha), Guilherme Fontes (
Primo Basílio) e Guilhermina Guinle (
Sexo com Amor?). Perguntado pelo
Cineclick o que achara do próprio filme, voltou a ressaltar o papel do ator. “Tem um monte de ator bom”.
Adaptação de obra homônima do escritor Marçal Aquino,
Cabeça a Prêmio se passa no Centro-Oeste, em uma região fronteiriça. Amor e decadência se intercalam na história da família Menezes, liderada pelo pecuarista Mirão (Fulvio Stefanini). Na sua dependência está o irmão mais novo, Abílio (Otávio Muller). Na proteção estão os capangas Albano (
Cássio Gabus Mendes) e Brito (
Eduardo Moscovis). Fogem das rédeas do patriarca a filha única, Elaine (
Alice Braga), e o piloto da família, Denis (o uruguaio
Daniel Hendler).
O filme carrega uma áurea de personagens desenganados que se perdem dentro daquele mundo prestes a desabar. Uma das melhores cenas do filme representa a ausência de rumo com a canção
Cristal, interpretada por Mercedes Sosa. Aliás, antes de começar a sessão, Ricca pediu que a plateia saudasse a cantora argentina, que morreu na terça-feira (4/10), aos 74 anos.
Ricca valoriza seus atores e, ao lado do fotógrafo José Roberto Eliezer (
Encarnação do Demônio), enche a tela com eles. Quase sempre os planos são abertos, com muita coisa preenchendo o quadro. Os personagens tornam-se maiores e se aproximam dos espectadores.
“Dou muita confiança aos atores”, define a respeito dos planos abertos. Apesar do tamanho visual que o filme adquire, o diretor não considera que seja simétrico. “Eu discordo, enxergo várias assimetrias”.
Além do elenco já citado, há duas participações ilustres. A primeira é do também uruguaio Cesar Troncoso (
O Banheiro do Papa), que interpreta um amigo de Denis. A outra é de David Cardoso, nome geralmente associado à pornochanchada. “Ele está no filme porque é de lá, Mato Grosso do Sul [onde se passa o filme]. Sem contar que ele é um ícone do cinema nacional. Quando ele entra em cena, dá a impressão para o espectador de que vai começar uma pornochanchada”, brinca Ricca.
Fica só na impressão.
Cabeça a Prêmio volta a apostar sua ficha no desempenho dos atores para construir a decadência familiar e a podridão que algumas pessoas podem chegar para conseguir o que querem.
O filme terá mais três exibições na programação do Festival do Rio: terça-feira (6/10), às 13h, no Cine Odeon (sessão que será seguida de debate com elenco); quarta-feira (7/10), às 15h40 e 22h10, no Estação Vivo Gávea 3.