06/10/2009 01h10

RIO 2009: Marco Ricca estreia na direção com retrato sobre família pecuarista decadente

Heitor Augusto, enviado especial ao Rio de Janeiro

Foto: Divulgação
Noite de muitos flashes e lotação máxima no Cine Odeon. Cabeça a Prêmio, estreia do ator Marco Ricca (Verônica) na direção de um longa-metragem, encerrou na noite desta quarta-feira (5/10) a competição de ficção da Première Brasil do Festival do Rio.

Após a primeira exibição oficial de seu filme, à qual assistiu de pé no fundo da sala, Ricca estava suando enquanto recebia cumprimentos de colegas como Giulia Gam (A Guerra dos Rocha), Guilherme Fontes (Primo Basílio) e Guilhermina Guinle (Sexo com Amor?). Perguntado pelo Cineclick o que achara do próprio filme, voltou a ressaltar o papel do ator. “Tem um monte de ator bom”.

Adaptação de obra homônima do escritor Marçal Aquino, Cabeça a Prêmio se passa no Centro-Oeste, em uma região fronteiriça. Amor e decadência se intercalam na história da família Menezes, liderada pelo pecuarista Mirão (Fulvio Stefanini). Na sua dependência está o irmão mais novo, Abílio (Otávio Muller). Na proteção estão os capangas Albano (Cássio Gabus Mendes) e Brito (Eduardo Moscovis). Fogem das rédeas do patriarca a filha única, Elaine (Alice Braga), e o piloto da família, Denis (o uruguaio Daniel Hendler).

O filme carrega uma áurea de personagens desenganados que se perdem dentro daquele mundo prestes a desabar. Uma das melhores cenas do filme representa a ausência de rumo com a canção Cristal, interpretada por Mercedes Sosa. Aliás, antes de começar a sessão, Ricca pediu que a plateia saudasse a cantora argentina, que morreu na terça-feira (4/10), aos 74 anos.

Ricca valoriza seus atores e, ao lado do fotógrafo José Roberto Eliezer (Encarnação do Demônio), enche a tela com eles. Quase sempre os planos são abertos, com muita coisa preenchendo o quadro. Os personagens tornam-se maiores e se aproximam dos espectadores.

“Dou muita confiança aos atores”, define a respeito dos planos abertos. Apesar do tamanho visual que o filme adquire, o diretor não considera que seja simétrico. “Eu discordo, enxergo várias assimetrias”.

Além do elenco já citado, há duas participações ilustres. A primeira é do também uruguaio Cesar Troncoso (O Banheiro do Papa), que interpreta um amigo de Denis. A outra é de David Cardoso, nome geralmente associado à pornochanchada. “Ele está no filme porque é de lá, Mato Grosso do Sul [onde se passa o filme]. Sem contar que ele é um ícone do cinema nacional. Quando ele entra em cena, dá a impressão para o espectador de que vai começar uma pornochanchada”, brinca Ricca.

Fica só na impressão. Cabeça a Prêmio volta a apostar sua ficha no desempenho dos atores para construir a decadência familiar e a podridão que algumas pessoas podem chegar para conseguir o que querem.

O filme terá mais três exibições na programação do Festival do Rio: terça-feira (6/10), às 13h, no Cine Odeon (sessão que será seguida de debate com elenco); quarta-feira (7/10), às 15h40 e 22h10, no Estação Vivo Gávea 3.
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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Anderson - 06/10/2009 13:13
Nossa, concordo com o Washington, Michele sua doida, vai fazer terapia vai...Tem gente que quer fazer polêmica a todo custo, com qlqr coisa.Vc é d onde fia?Tadinha(rsrs)
silvio camargo - 06/10/2009 12:51
eu tava lah ontem. filme sensacional, marco ricca tem futuro. e david cardoso faz participacao mto boa! soh a alice braga que eh sem graca como sempre.
Reynaldo Boury - 06/10/2009 11:55
Marco, Parabens. Não assistí o seu filme, mas sei que é um sucesso. Talento não lhe falta. Preciso falar com voce. Meu email:rboury@uol.com.br.
Abraços. Boury
Luciana - 06/10/2009 11:26
Juliana, quem te disse que é um Mato Grosso só? Você é daqui de MS por acaso? Porque se for é totalmente perdida, e se não for já mostrou que não entende nada de geopolítica. Um Estado não tem nada a ver um com o outro há muito tempo, apesar de alguns ignorantes, muitos aliás, sempre misturarem as coisas. David Cardoso mora em Campo Grande capital do MS, acabou de ganhar uma Sala/Museu contando sua história, que, antes desmerecida, hoje é reconhecida como um cinema que encheu salas e entreteve muitas pessoas. Ah, você não sabia disso né? MS não se envergonha de seus artistas, e não vê apenas Aracy Balabanian, talentosa atriz que apesar de ser daqui mas nunca aparecer, ainda veio de MS. A maior parte da equipe de produção do filme foi de MS. Mato Grosso do SUL. Um estado que não tem nada a ver com Mato Grosso, assim como Santa Catarina não tem nada a ver com Paraná.
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