01/10/2009 14h10

RIO 2009: Herzog passa longe de Ferrara

Sérgio Alpendre, do Rio de Janeiro

Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans
Foto: Divulgação
Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, de Werner Herzog (O Sobrevivente), não será mais exibido no Festival do Rio. Mas vale ficar atento às mudanças de programação, que vira a mexe nos reservam surpresas.

Esta falsa refilmagem de Vício Frenético, um dos melhores filmes de Abel Ferrara (Maria), já foi logo cercada de polêmica, pois Herzog declarou que nunca tinha ouvido falar de Ferrara. Uau! Dois grandes diretores começariam a se provocar a essa altura do campeonato?

Polêmica à parte, Herzog ficou muito longe de Ferrara nesta obra, que guarda poucas semelhanças estéticas e dramatúrgicas com o original. Nicolas Cage assume o papel de policial doidão que Harvey Keitel assumiu como principal portfólio de sua carreira (se assim não aconteceu, vacilou). Suas caretas e sua expressão de cachorro perdido são perfeitas para o personagem.

Mas o filme, apesar de fácil de ser visto, tem apenas alguns momentos que fazem jus ao talento do diretor alemão. Um deles é quando as iguanas aparecem pela primeira vez entoando uma lamúria soul e deixando claro que os répteis que aparecem no filme (antes e depois das iguanas) são imaginados pelo policial quando drogado (90% do tempo). Outros ocorrem quando Cage se descontrola emocionalmente, ou quando fica chapado no escritório de um traficante.

Ainda assim, não existe nem 10% da carga religiosa de Vício Frenético, e nem 30% da insanidade, o que o deixa comportado demais para os padrões do rebelde Herzog.

Passada essa etapa de estranhamento, quando já percebemos que um filme não tem nada a ver com o outro, até podemos curtir, mas não deixaremos de sentir que é um Herzog pouco inspirado, muito distante de seus maiores filmes (Aguirre - A Cólera dos Deuses e Coração de Cristal).
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