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Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, de Werner Herzog (
O Sobrevivente), não será mais exibido no Festival do Rio. Mas vale ficar atento às mudanças de programação, que vira a mexe nos reservam surpresas.
Esta falsa refilmagem de
Vício Frenético, um dos melhores filmes de Abel Ferrara (
Maria), já foi logo cercada de polêmica, pois Herzog declarou que nunca tinha ouvido falar de Ferrara. Uau! Dois grandes diretores começariam a se provocar a essa altura do campeonato?
Polêmica à parte, Herzog ficou muito longe de Ferrara nesta obra, que guarda poucas semelhanças estéticas e dramatúrgicas com o original. Nicolas Cage assume o papel de policial doidão que Harvey Keitel assumiu como principal portfólio de sua carreira (se assim não aconteceu, vacilou). Suas caretas e sua expressão de cachorro perdido são perfeitas para o personagem.
Mas o filme, apesar de fácil de ser visto, tem apenas alguns momentos que fazem jus ao talento do diretor alemão. Um deles é quando as iguanas aparecem pela primeira vez entoando uma lamúria
soul e deixando claro que os répteis que aparecem no filme (antes e depois das iguanas) são imaginados pelo policial quando drogado (90% do tempo). Outros ocorrem quando Cage se descontrola emocionalmente, ou quando fica chapado no escritório de um traficante.
Ainda assim, não existe nem 10% da carga religiosa de
Vício Frenético, e nem 30% da insanidade, o que o deixa comportado demais para os padrões do rebelde Herzog.
Passada essa etapa de estranhamento, quando já percebemos que um filme não tem nada a ver com o outro, até podemos curtir, mas não deixaremos de sentir que é um Herzog pouco inspirado, muito distante de seus maiores filmes (
Aguirre - A Cólera dos Deuses e
Coração de Cristal).