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Para quem não conhece jiu-jitsu ou tem uma relação distante com artes marciais, a família Gracie geralmente é referenciada como um bando de lutadores com pinta de
bad boys. Não é bem assim.
“Fiz um filme para quem não sabe o que é jiu-jitsu. Eu acho estranho que no Brasil eles sejam vistos como bandidos”. Essas são as palavras de Victor Cesar Bota, diretor do documentário
Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo, que terá sessão de gala na noite desta segunda-feira (5/10) no Festival do Rio, com a presença de alguns integrantes da família, entre eles Robson Gracie.
"O filme surgiu por acaso. Na adolescência eu surfava junto com Renzo Gracie [membro da terceira geração]. Nos encontramos e ele me ajudou no acesso. Passei a entender jiu-jitsu com as entrevistas na família”, afirma o cineasta ao
Cineclick.
O longa traça uma linha do tempo da luta, mantida em segredo por séculos no Japão. No processo migratório da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carlos Gracie aprendeu a técnica e se tornou, ao lado do irmão mais novo Hélio, o pioneiro. Nos mais de 90 anos, o jiu-jitsu passou por diversas transformações e desembocou no Vale Tudo.
Para Victor Cesar Bota, brasileiro radicado em Nova York, desconhecer os pormenores da história da luta ajudou na realização do filme. “Eu ia respondendo às minhas perguntas que, na verdade, são as mesmas do espectador”. A missão de tornar a evolução clara não é fácil, especialmente por dois motivos.
O primeiro é que há uma quantidade imensa de nomes, todos iniciados com a letra “R”, envolvidos com a luta. O segundo motivo é a intensa rivalidade entre os descendentes, divididos, grosso modo, entre os que estão do lado de Hélio (morto em janeiro deste ano) e Carlos (morto em 1994). No centro da discussão, o uso da marca da família e as acusações para a violência do Vale Tudo.
“Foram seis anos de produção com uma dinâmica politicamente difícil”, explica o diretor, cauteloso a tocar no tema. “Muitos deles não se entendem e me falaram coisas como ‘se você entrevistar esse cara eu não falo com vc’ ou ‘se você colocar fulano, eu não participo’. Essa foi a parte mais difícil”.
Bota define o filme como um olhar dos próprios Gracies para o jiu-jitsu. “Fiz muitas sessões com a família e sempre mostrava os primeiros cortes para Renzo. Não queria que lavar roupa suja no filme, a intenção era passar algo legal sobre a história da luta”, completa.
Os Gracies e o Nascimento do Vale Tudo, que elucida a trajetória do esporte e da família, integra a seleção O Brasil do Outro no Festival do Rio e ainda terá sessões nesta segunda-feira (5/10) às 21h45, no Espaço de Cinema 2; na terça-feira (6), às 16h30, no Centro Cultural da Justiça Federal; e na quinta (8), às 18h15, no Estação Barra Shopping.