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Uma palavra poderia descrever a sensação de assistir a
Human Zoo: desconforto. Não apenas pelo tema, o massacre em Kosovo, mas principalmente por causa da dificuldade em classificar as relações humanas no filme.
O longa trata de Adria (Rie Rasmussen), uma jovem que é metade sérvia e metade albanesa. Seu passado tem os horrores da Guerra de Kosovo e um militar desertor; seu presente é em Marselha, França, onde é acolhida por uma família e tenta sobreviver como imigrante ilegal.
Como há a guerra e o extermínio, não falta o drama, a dor, a dimensão política. Mas Rie Rasmussen, diretora e protagonista, não coloca selos em seus personagens. Não os transforma em heróis ou vilões. Em muitos momentos, suas atitudes beiram à loucura, o inacreditável. Por isso o desconforto após a sessão:
Human Zoo mexe com a percepção dos sentidos.
Nos dois períodos da vida de Adria existem dois homens, com os quais ela desenvolve relações muito distintas. O primeiro é Srdjan (Nicola Djuricko), um militar desertor que a salva da morte. O que normalmente poderíamos esperar? Que ele se tornaria seu proetetor até que ela encontrasse segurança de vida.
Aqui está a primeira subversão da Rasmussen, que estreia na direção. A relação que os dois desenvolvem é extremamente instável e inclassificável. Percebe-se o carinho, mas ele não impede que ambos façam coisas, digamos, não tão dignas.
A segunda subversão é o aparecimento de outro personagem, Shawn (Nick Corey), um americano boa vida que aparece quando ela já está (supostamente) segura na França. Aparentemente, ele seria o elemento de desordem na vida da garota. O que acontece? É o comportamento de Adria que abala a relação.
Human Zoo é uma poderosa estreia de Rie Rasmussen na direção que pode ser conferida a partir de domingo (4/10), em duas sessões no Est. Vivo Gávea 1: a primeira às 16h e a segunda às 20h20.
O filme ainda terá exibições na terça-feira (6/10), às 18h, no Est. Barra Point 1; e na quinta-feira (8/10), às 14h30 e 21h45, ambas no Espaço de Cinema 3.