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O longa de estreia de Claire Denis,
Chocolate, de 1988, trata de questões raciais numa colônia francesa da África. Vinte anos depois, e uma carreira de autora devidamente estabelecida, com filmes importantes como
Nennette et Boni,
Desejo e Obsessão,
Beau Travail e
O Intruso, ela está de volta novamente à questão racial (que permeia outros filmes de sua obra) com
White Material, que narra as dificuldades da personagem de Isabelle Huppert (
Um Barragem Contra o Pacífico) para se manter em um país africano onde estoura uma sangrenta guerra civil.
Por mais que a situação geopolítica perpasse toda a narrativa, Claire nunca deixa de lado o seu cinema de fluxos, com amplos momentos sensoriais, à maneira de um Terrence Malick (
O Novo Mundo), mas menos lisérgica. Para isso, conta com a ajuda da banda de rock Tindersticks, parceiros de longa data, que talvez nunca estiveram tão próximos de uma co-autoria como neste filme.
Graças a esse espírito liberto de amarras, não faz muito sentido se ater a uma história com um forte pano de fundo político, sob o risco de se distanciar do tipo de cinema sensorial que a diretora faz tão bem. Melhor é se deixar levar pelas baladas progressivas que arrastam as imagens para um terreno especulativo que pouco tem a ver com o panorama do cinema atual, mais preocupado em não perder o espectador de vista do que em refletir o mundo em imagens que só se completam em nossas mentes.
White Material passa novamente na terça (6/10), às 13h30 e às 18h, no Estação Ipanema 2, e quarta (7/10), às 14h15, no Estação Barra Point 2.