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Cineasta de filmografia marcada pela diversidade de gêneros, o paulistano Beto Brant (
Crime Delicado) trancafiou por 22 dias um ator e uma vídeoartista para realizar o filme-experiência
O Amor Segundo B. Schianberg.
O projeto, que se iniciou como uma minissérie de quatro capítulos para a TV Cultura, chegou ao passo final, o cinema, na noite desta sexta-feira (2/10), quando foi exibido no Festival do Rio. “Quando a televisão me chamou, queria fazer uma coisa que mexesse com a linguagem. E qual é a doença da TV, que todo mundo se interessa?
Reality Show! Mas, em vez de mostrar intrigas e conchavos, priorizo a construção do amor”, afirmou o cineasta ao
Cineclick.
A estrutura do filme é simples. Uma casa, câmeras espalhadas (e à mostra), o ator Gustavo Machado (
Quanto Dura o Amor?) e a vídeoartista Mariana Previato. O roteiro: ele é descoberto por ela em um teatro e resolve ir à sua casa para viver a experiência de ser observado e conviver com ela diariamente.
“O Beto intervinha, dava indicações. Ele é muito humano e não queria nos deixar desprotegidos. O roteiro trazia a casa, o clima de
reality show e a experiência. Mas a convivência, em vários momentos, fez as coisas mudarem e seguir outros rumos”, explica o ator.
Para registrar a ação do casal, foi montada uma parafernália dentro da casa – que não é interessante revelar para manter o segredo de algumas cenas. “É um casal que está em suposta situação de neutralidade e um está voltado para o outro. O jogo vai subvertendo, acontecendo. As regras sofrem alterações”, define Brandt.
Uma diferença entre a série e o filme. Na televisão, o personagem que dá o título do filme. Benjamin Schianberg é pai da vídeoartista, sua voz está presente e o jogo entre o casal é formado para agradar a ele – no longa, isso não está muito claro. Schianberg, por sua vez, é um personagem do livro
Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, de Marçal Aquino, parceiro em adaptações anteriores como
Os Matadores,
Ação Entre Amigos e
O Invasor.
Gustavo Machado argumenta que aceitou participar do filme por gostar dos filmes do cineasta. “Vi todos os seus filmes, só
Crime Delicado assisti três vezes. Me interessa como ele penetra regiões do ser humano com delicadeza e traz suavidade à dureza”. Já Brant diz que acompanha por muito tempo o ator. “Gosto e vou ao teatro, e obviamente acompanho o Gustavo. Ele é humano e queria saber como seria vê-lo de fato”.
Em competição na Première Brasil do Festival do Rio,
O Amor Segundo B. Schianberg terá mais três exibições: neste sábado (3/10), às 13h, no Cine Odeon (sessão que será seguida de debate); e no domingo (4/10), às 15h40 e 22h10, no Estação Vivo Gávea 3.