Em cerimônia de encerramento realizada na noite desta quinta-feira (9/10) no cinema Odeon Petrobras, no Rio de Janeiro, foram revelados os ganhadores da mostra competitiva do evento, a Première Brasil, que abrange exclusivamente produções nacionais, em curta e longa-metragem. Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte, foi escolhido pelo Júri Oficial o Melhor Filme.
A festa estava marcada para começar às 21h, mas, evidentemente - como toda premiação que se preze realizada no Brasil -, começou com quase uma hora de atraso. Apresentada pelos atores Leandra Leal - que se definiu como fiel espectadora do Festival do Rio - e Murilo Rosa, a festa teve início com a entrega dos prêmios paralelos. No total, foram recebidos 220 mil espectadores nas sessões do festival, que começaram no dia 26 de setembro e terminaram nesta quinta (9/10).
O primeiro da noite foi ao roteiro de Se Nada Mais Der Certo, concedido pela Associação dos Autores de Cinema. Do fundo da platéia do Odeon Petrobras, a equipe do longa de Belmonte vibrava. Não foi a última vez da noite, no caso. "O roteiro foi uma experiência solitária que proporcionou encontros memoráveis", agradeceu o diretor e roteirista do longa.
O prêmio Porta Curtas foi o segundo da noite, concedido às produções em curta-metragem mais votados por meio do site. O Sonho de Jonas, de Gustavo Chiappetta, foi o mais votado dentro da mostra Geração; Domingo de Páscoa, de Pedro Amorim, foi o segundo mais votado, precedido por Café com Leite, de Daniel Ribeiro.
O Prêmio FIPRESCI de Melhor Filme Latino-Americano foi para A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel; a homenagem da instituição à Personalidade Latino-Americana desta edição do Festival do Rio foi dada ao cineasta mexicano Arturo Ripstein, um dos grandes homenageados deste ano. A mostra Geração foi composta de produções nacionais e internacionais, prestigiadas pelo público infantil, que votou após cada uma das sessões no seu favorito, o longa indiano Somos Todos Diferentes, de Aamir Khan, que venceu com nada menos do que 97% dos votos computados.
A entrega dos 13 troféus Redentor deste ano começou com uma categoria um tanto quanto inusitada: a de Product Placement. Em português claro: melhor inserção de merchandising num filme. Foi para Chega de Saudade, o que causou grande estranhamento. Afinal, o longa de Laís Bodanzky nem estava na seleção deste ano do Festival do Rio. A escolha causou um silêncio constrangedor na platéia, que não estava entendendo nada daquilo que estava acontecendo. Mais ainda quando a representante da Gullane Filmes agradeceu à "Mostra", não ao Festival, como deveria ser. Será que ela achou estar em São Paulo? Ok, escorregadela de quem estava nervosa na frente de centenas de pessoas, sob tantas luzes e olhares.
No total, foram exibidos 70 filmes brasileiros e 33 deles concorreram aos troféus. O Júri Oficial foi composto pelo diretor da sessão Panorama do Festival de Berlim, Wieland Speck, pela produtora e roteirista argentina Lita Stantic (produtora de Café dos Maestros, em exibição no festival), pela atriz Camila Pitanga (Saneamento Básico, O Filme) e pelo diretor e roteirista Jorge Duran (Proibido Proibir). Mais de cinco mil espectadores votaram em seus filmes favoritos este ano.
Dentre os curtas-metragens, o Júri Popular escolheu o documentário Urubus Têm Asas, de André Rangel e Marcos Negrão, como o Melhor Filme em curta-metragem. O Melhor Documentário em curta, de acordo com o Júri Oficial, foi 69 - Praça da Luz, de Carolina Markowicz e Joana Galvão. O Melhor Curta de Ficção deste ano foi Blackout, dirigido por Daniel Rezende em sua estréia como diretor, paralela à bem-sucedida carreira como montador de filmes como Cidade de Deus e Ensaio Sobre a Cegueira.
O Melhor Documentário em longa-metragem, de acordo com o público, foi Loki- Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle. O filme é a primeira produção em longa do Canal Brasil. Palavra (En)Cantada deu a Helena Solberg o Redentor de Melhor Diretora entre os longas do gênero em competição, enquanto que o Melhor Documentário foi para A Estrada Real da Cachaça, de Pedro Urano.
Depois de ganhar o Kikito no último Festival de Gramado, Daniel de Oliveira subiu ao palco novamente para ser premiado como Melhor Ator por sua excelente atuação em A Festa da Menina Morta. Em rápido discurso, agradeceu à equipe e dedicou o prêmio ao Amazonas, Estado onde o longa foi filmado. A Melhor Atriz foi Carolina Abranches, pelo trabalho em Se Nada Mais Der Certo.
Um dos momentos mais bonitos da festa foi quando Matheus Nachtergaele subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Diretor por A Festa da Menina Morta. Já consagrado como ator, ele agora é ovacionado por sua estréia como diretor. "Fiz uma aposta com o Dani (Daniel de Oliveira) e vou cantar aqui no palco", disse Nachtergaele, repetindo o que fez no Festival de Gramado: cantou uma música de Dorival Caymmi.
Wieland Speck, presidente do júri, entregou o troféu Redentor à Menção Honrosa do grupo, que foi para o documentário Jards Macalé - Um Morcego na Porta Principal. O diretor Marco Aujamra e o co-diretor João Pimentel quase que não sobem ao palco para receberem a homenagem, já que estavam do lado de fora do Odeon. Pausa de alguns minutos na entrega dos prêmios - bem na reta final, o que também ajudou a criar um suspense - para que pudessem receber o prêmio.
O filme de baixíssimo orçamento - custou apenas R$ 8 mil - Apenas o Fim, de Matheus Souza, ganhou Menção Honrosa e foi o Melhor Filme de acordo com o Júri Popular. Os dois prêmios levaram a equipe do longa - basicamente formados por estudantes universitários cariocas - ao delírio. Todos jovens, de vinte e poucos anos, subiram emocionadíssimos ao palco nas duas vezes que foram chamados para receberem seus prêmios. "É até bom porque costumamos ver uns 40 filmes todo festival", brincou o diretor ao agradecer um dos troféus. O resultado não é à toa, aliás: o filme é produzido por Mariza Leão (Meu Nome Não É Johnny), que se juntou à turma no palco do Odeon.
Na entrega do último prêmio da noite, Matheus Nachtergaele foi um dos que fizeram questão de aplaudir de pé José Eduardo Belmonte e sua equipe enquanto atravessavam toda a extensão da platéia do Odeon para receber o Redentor de Melhor Filme para Se Nada Mais Der Certo. Para que não se lembra, Nachtergaele foi dirigido por Belmonte em A Concepção (2005). No palco, o diretor do grande premiado da noite afirmou: "Foi uma batalha muito complexa chegar até aqui".
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