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Bollywood: US$ 125 milhões movimentados em 2008 e 95% do mercado ocupado por filmes produzidos na Índia. Justamente essa máquina cinematográfica que três amigas atrizes foram encontrar em
O Sonho Bollywoodiano. Deram com a cara na porta.
A história lembra um documentário e Beatriz Seigner filma como se registrasse a realidade. Mas tudo é ficção, cujo argumento surgiu a partir da curiosidade de amigas pela indústria cinematográfica indiana. “Amigas atrizes vinham me perguntar como ir para Bollywood. Poxa, falta emprego e todo mundo ama cinema e, já que lá tem indústria, vamos tentar trabalhar. Mas não tem a menor noção do que vai encontrar”, explicou a diretora ao
Cineclick.
Em torno dessa busca gira o filme. Ana (Paula Braun) já dançou em programas de auditório, Luna (Lorena Lobato) deixou o filho para trás e Sofia (Nataly Cabanas) é filho de um político e banca a viagem das amigas. Elas têm apenas um cartão com um contato que abriria as portas do panteão do cinema.
Um filme extremamente aberto ao improviso e às possibilidades que um país com 22 idiomas oficiais pode oferecer. Alguns elementos para as personagens foram trazidos pelas próprias atrizes. A exemplo de Paula Braun, a garçonete de
O Cheiro do Ralo que tinha o bumbum cobiçado pelo protagonista.
“O filme é muito bacana, mas veio uma parte da mídia e me convidou pra fazer a gostosa em novela, ensaio fotográfico. Não sou isso, sou atriz e aquilo foi um papel, ponto final”, sentencia Paula Braun. Posição que foi sutilmente incorporado à sua personagem Ana em
O Sonho Bollywoodiano.
O filme explora a linha entre os desafios (e dúvidas) das personagens em fazerem cinema na Índia com o choque entre seus interesses individuais e coletivos.
Como apareceu Bollywood?
Apesar de o argumento ter surgido de um
insight, a gestação do filme foi longa. Precisamente, sete anos. “Eu estudei sânscrito, me apaixonei por dança indiana, estudei as diferenças da dança clássica. Ou seja, já tinha vontade de fazer filme que misturasse Brasil e Índia”, explica Beatriz.
E como surgiu a tal indústria de cinema que viria a ser um dos combustíveis de seu filme? “Eu tinha 19 anos quando vi meu primeiro filme bollywoodiano, dentro de um avião, durante uma viagem”, relembra a diretora. “Acho interessantíssimo como manifestação cultural, mas o filme é muito enlatado, sempre com seis músicas por filme”, avalia Beatriz.
Opinião corroborada pela atriz Paula Braun, que ressalta a catarse que os filmes exercem. “Acho muito rico culturalmente, pois existe uma catarse quando nas exibições, os espectadores dançam as músicas, falam os diálogos, assistem aos filmes mais de uma vez”. “No cinema, eles assistem porque aquele momento é a finalidade, não existe afastamento”, diz Beatriz.
Nesse encontro com Bollywood, nem tudo foi harmônico. “Tivemos uma discussão logo no início com a equipe indiana. Eles queriam que fizéssemos plano e contraplano a toda hora, não entendiam porque usávamos câmera na mão”, relembra a diretora, que preferiu o
jazzístico, expressão que ela usa constantemente, ao engessado.
Existe uma série de outros momentos que fazem de
O Sonho Bollywoodiano um filme que mexe com o olhar de quem o assiste. Se você ainda não viu, a última chance dentro da programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo é nesta quarta-feira (28/10), às 14h30, no Unibanco Artplex 5 (Sessão 544).