Foto: Divulgação
A atriz Malu Mader é popular por seus papéis em TV e cinema - como o recente
A Casa da Mãe Joana e
Brasília 18%. Agora, ela é mais uma atriz a apresentar um novo lado em seu trabalho: o de diretora. Trata-se do documentário
Contratempo, co-dirigido por Mini Kerti, que, depois de ter sido exibido no Festival do Rio, integra a programação da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Contratempo é um documentário sobre o projeto Villa-Lobinhos, que ensina música clássica a jovens carentes no Rio de Janeiro. Malu Mader e Tony Belloto são padrinhos de alunos do projeto Villa-Lobinhos, que reúne os músicos de maior destaque em outros projetos, como Tocando a Vida e Aprendiz, no Rio de Janeiro. Por isso, a idéia inicial de trabalhar com personagens deste projeto. A idéia, portanto, veio de Malu, que, num evento no Rio de Janeiro em 2002, conheceu Mini, que já trabalhava com direção de filmes publicitários e dirigiu o documentário
Chame Gente - A História do Trio Elétrico (2002).
Quando se conheceram, Mini e Malu tiveram uma idéia inicial de dirigirem juntas um curta de ficção protagonizado por Wagner - músico do Villa-Lobinhos que ganha muito destaque no documentário -, e Erika Mader, sobrinha de Malu que acaba de estrear como diretora no curta
Se Não Fosse o Onofre. Mas o projeto acabou sendo encaminhado ao que vemos em
Contratempo: um filme que pretende apresentar melhor alguns dos integrantes do projeto e como a música mudou suas vidas.
Uma das melhores coisas no documentário está nos personagens encontrados pela dupla. "Carisma, tocar bem instrumentos - apesar de não ser um filme sobre músicos virtuosos -, mas queríamos momentos de boa música tocada; queríamos também que tivessem alguma relação entre si, como o caso de Wally e os membros de sua banda, muitos deles no projeto", explica Malu em relação á escolha dos personagens. "Já tínhamos aproximação anterior às filmagens com muitos personagens do filme, já conhecíamos as histórias", continua a atriz e agora diretora.
Para a realização de
Contratempo, a dupla entrou em comunidades no Rio de Janeiro. Para um artista popular como Malu, pode ser caso de polvorosa, o que não ocorreu: "Tenho um jeito de evitar o assédio, então não foi complicado entrar nas comunidades durante a produção do projeto. É possível fazer com que isso se dissipe rapidamente, mas alguns atores gostam de falar que pararam um shopping e coisas assim. Claro que, se você está num momento de exposição, isso ocorre, mas estava meio quieta naquela época".
Colher os depoimentos foi tranqüilo: os reais problemas começaram a aparecer na ilha de edição, quando as diretoras perceberam que tinham nada menos do que 120 horas de material bruto para ser transformado em um filme de 90 minutos. Tanto neste momento quanto na captação das imagens, as diretoras apontam que o "toque de Midas" do cineasta João Moreira Salles (
Entreatos), produtor do longa, foi pontual: "Foi ele quem insistiu que fossemos atrás do depoimento do Thiago, que já havia saído do Villa-Lobinhos, o que foi um toque essencial pro documentário", exemplifica Malu. "Quando comecei a fazer o filme com a produção dele, sonhava com várias reuniões semanais, já que ele é, ao lado do Eduardo Coutinho, o documentarista que mais admiro na cinematografia brasileira, mas, por falta de tempo, não nos reunimos muito", lembra a atriz e diretora. "Mesmo poucos, os toques dele foram muito pontuais e essenciais", lembra Mini.
"No momento, estou muito empolgada em ser diretora, penso muito nos meus projetos, mas é claro que, se tiver alguma proposta legal como atriz, vou aceitar", pondera Malu Mader. "Estou sempre à espera de propostas."
Contratempo na Mostra:
Dia 21/10 (terça-feira), às 20h10, no Unibanco Arteplex 1 (Sessão 365)
Dia 23/10 (quinta-feira), às 16h50, no Unibanco Arteplex 3 (Sessão 556)
Dia 24/10 (sexta-feira), às 18h10, no Reserva Cultural 1 (Sessão 688)