30/10/2008 15h10

MOSTRA 2008: Leandro HBL filma a expressão artística do funk

Da Redação

Foto: Divulgação
Por Angélica Bito

Favela On Blast é a estréia na direção de Leandro HBL e Wesley Pentz. O primeiro é videoartista mineiro e se junta nesta função com Pentz, mais conhecido como DJ Diplo. Norte-americano, tem seu trabalho diretamente influenciado pelo funk carioca, além do miami bass e hip-hop, que também são fonte de reverência ao movimento mostrado no documentário.

A idéia de Favela On Blast surgiu de Pentz. "O Wesley também escreve para uma revista de música e conheceu o funk carioca quando veio ao Rio de Janeiro fazer uma matéria", explica Leandro. Os dois já haviam trabalhado juntos quando o cineasta dirigiu o videoclipe Diplo Rhythm, do DJ; a proposta deste documentário surgiu de Pentz. "Quando ele me propôs este projeto, achava que funk era música ruim", confessa o diretor. Claro que as barreiras foram derrubadas assim que passaram a visitar bailes nas comunidades.

O documentário mostra um pouco do dia-a-dia dos artistas que compõem esse movimento, como DJs, dançarinas e MCs. O filme também atravessa pelas influências musicais, têm excelentes cenas de arquivo de bailes dos anos 80 e mostra como o Miami bass, hip-hop, rap e até o samba ajudaram a construir o cenário que temos hoje; um cenário que influencia a cultura brasileira e também estrangeira, já que, descobertos por gringos como o próprio DJ Diplo, ganha o mundo. "É um filme sobre a expressão artística das pessoas", analisa o diretor.

O objetivo de Pentz, na verdade, era fazer uma série de documentários sobre ritmos musicais que surgem nas periferias, como o próprio funk carioca, além de produções filmadas na Índia e Austrália. Favela On Blast pode ser o primeiro filme de uma série, portanto. Ou não. A questão é que ainda é preciso ver como funcionará a distribuição deste filme, já garantida. "Podemos explorar o filão dos espectadores que gostam de filmes sobre músicas, mas acho que só funcionaria bem mesmo pela internet", analisa o diretor.

"A galera mais classe média, em tese, tem uma tendência de ser um pouco moralista", analisa Leandro, que havia acabado de participar de um acalorado debate dentro das atividades da 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. "O funk é polemico, desde a questão das brigas e depois com o sexo nos bailes, mas funk é como droga: em geral, ambos despertam a hipocrisia nas pessoas", acredita. "O tema é polêmico por mexer com a hipocrisia da sociedade, que vem do senso comum."

"A questão do sexo é menor no funk e ela é usada para vender, isso não é nada novo na música brasileira", acredita Leandro. "Querer ligar o funk à taxa de natalidade na favela ou ao crescimento da Aids não é real, é um achismo ridículo", continua. "Agora, existem vários elementos, como a música, que contribuem para uma evolução social ali, as pessoas de desenvolvem e se relacionam por causa da música", afirma. "A música é o epicentro da vida dessas pessoas."

Favela On Blast pode estrear no início de 2009, mas nunca se sabe em se tratando do circuito comercial brasileiro. Para os interessados, o documentário tem sua última exibição na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo nesta quinta-feira (30/10), às 21h10, no Unibanco Arteplex 4.
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