30/10/2008 14h10

MOSTRA 2008: Benicio Del Toro promove Che

Da Redação

Foto: Divulgação
Por Angélica Bito

A manhã desta quinta-feira (30/10) foi agitada no Frei Caneca Unibanco Arteplex, complexo de cinemas paulistano, um dos principais locais de exibição da 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Não bastando a fila na frente da bilheteria dos cinemas - iniciada às 9h -, jornalistas lotaram uma das salas. Tudo culpa de Benicio Del Toro. O ator porto-riquenho está no Brasil a fim de promover Che, longa-metragem no qual interpreta o mítico revolucionário argentino Ernesto Guevara. A fila? Era formada pelos espectadores, que gostariam de garantir seus ingressos - parte deles vendidos antecipadamente já estavam esgotados há dias - para a exibição do longa, que encerra as atividades da 32ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na noite desta quinta.

Alternando frases em espanhol e inglês, o ator e produtor de Che esteve acompanhado da produtora Laura Bickford, Leon Cakoff - diretor da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo -, o ator brasileiro Rodrigo Santoro (que também atua no longa) e Diego Halabi, diretor da distribuidora Sun Distribution Group (responsável pelas negociações do filme na América Latina), na disputada coletiva de imprensa.

O prêmio de Melhor Ator no último Festival de Cannes credencia a atuação de Benicio Del Toro às expectativas em relação ao Oscar, mas o ator mostra não levar muito a sério as especulações. "Foi ótimo quando ganhei!", admite o ator, premiado pela Academia de Artes de Ciências de Hollywood pelo trabalho em Traffic. "É uma honra ser reconhecido como ator", acredita. "Mas não há regras para ser premiado, o ator trabalha instintivamente, é esta a base do trabalho de um ator", acredita. "Eu acho que ele deveria ganhar o Oscar", interfere Santoro.

A idéia de fazer um filme sobre o revolucionário argentino surgiu há alguns anos, quando Laura Bickford comprou os direitos de adaptação de uma biografia de Che. No entanto, este projeto não chegou a ganhar mais corpo. Em 2000, Benicio Del Toro e Laura trabalharam com Steven Soderbergh em Traffic. "Soderbergh deu novo fôlego ao projeto", explica Del Toro. Mesmo assim, foram sete anos de pesquisa e entrevistas para que o universo que temos em O Argentino e A Guerrilha. "Trata-se de um filme sobre o humano atrás das imagem", explica Laura.

O que impressiona em Che é a semelhança entre Del Toro e as imagens que conhecemos de Guevara. "Em Porto Rico, as escolas não ensinam sobre a Revolução Cubana, então não conheci a figura de Che muito cedo", explica Del Toro. "Na verdade, a primeira vez que ouvi seu nome foi na música Little Indian Girl, dos Rolling Stones", revela. A música conta a história de uma menina boliviana que pergunta a um gringo onde está seu pai. "Senhor Gringo, meu pai não é Che Guevara/ Ele está lutando na guerra nas ruas de Masaya", diz parte da letra, a mesma que apresentou a Del Toro o nome do revolucionário. "Mais tarde, no México, vi uma foto de Che numa livraria e comprei o livro", continua o ator e produtor. "Era uma série de cartas escritas para sua família e o livro me comoveu muito; a partir dali, resolvi me empenhar a aprender mais sobre ele".

Durante os sete anos de produção do Che, a equipe fez uma investigação minuciosa da vida do revolucionário não somente a partir de livros, mas também visitando os locais onde Guevara esteve. "Fizemos um estudo que nos levou a muitas partes do mundo", explica Del Toro. "Além disso, conversamos com pessoas que conviveram com ele, foi um trabalho de investigação que durou de seis a sete anos", continua.

A equipe também teve muito apoio de novos cineastas bolivianos durante as filmagens no país. "Antes de filmarmos, um xamã local fez uma cerimônia religiosa para abençoar o set", revela Laura. Além disso, alguns atores locais também fizeram questão de estar no filme. Aliás, o diretor de Maldeamores - um dos filmes que podem ser premiados na cerimônia de encerramento da Mostra por ser um dos mais votados pelo público e com produção executiva de Del Toro -, Carlos Ruíz Ruíz, também faz participação como ator em Che.

Apesar de terem passado muito tempo durante as pesquisas para o projeto em Cuba, não ocorreram filmagens lá. "Norte-americanos são proibidos de fazer negócios e trabalhar em Cuba", explica Laura. "Mas todas as visitas que fizemos ao país foram legais", esclarece. "Dizemos que se trata de um filme espanhol porque todos os apoios que tivemos para realizá-lo vieram da Espanha; não houve nenhum dinheiro norte-americano na produção", revela a produtora.

Além da exibição na noite desta quinta-feira (30/10), com ingressos já esgotados, Che também será exibido sexta-feira (31/10), às 18h10, no CineSesc, dentro da programação de repescagem da Mostra.

Mais fotos do evento.

Leia a crítica de Che.
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