Foto: Angélica Bito
A primeira vez que Marc Price pegou numa câmera foi aos 21 anos; hoje, ele tem 30 e está no Brasil para falar de
Colin, seu primeiro longa-metragem, que custou US$ 74. A equipe tinha somente uma câmera – a segunda quebrou no meio das filmagens -; a edição de imagens foi feita no quarto do diretor e o som foi captado por meio do microfone da câmera mesmo. “Achei que o público do meu filme seria somente formado pelos meus amigos, que estiveram envolvidos na produção”, confessa o diretor em conversa com o
Cineclick. “É muito difícil conquistar emocionalmente o público, então sempre pensava que deveria convencer pessoas como meus amigos sobre os acontecimentos”, continua.
“Uma das experiências mais incríveis da minha vida foi quando exibi o filme pela primeira vez a eles, no meu quarto”, conta Price. “Fiquei o dia todo finalizando o primeiro corte – que deveria ser o único, na verdade -, não tinha comido e ver o desenvolvimento do personagem (Colin) da primeira cena ao final foi estranhamente emocional para mim porque estava ali a jornada de ter feito o filme”, explica. “Foi maravilhoso ver meus amigos assistindo ao longa. Em dado momento, um amigo fez um barulho bem estranho e ele mesmo não tinha percebido isso de tão emocionalmente envolvido que estava”, lembra o diretor, que demonstra estar bastante empolgado ao falar sobre seu filme. “É feito por amigos, para amigos”, define o diretor. “Certamente não esperava que ele fosse assistido assim”.
Mas Price resolveu ir, em maio deste ano, ao Festival de Cannes para mostrar
Colin a possíveis distribuidores. O que parecia ser uma aventura acabou resultando num dos filmes mais falados do festival. O longa foi exibido fora de competição, especificamente para o mercado e, por conta do orçamento ínfimo, ganhou atenção não somente de distribuidores, mas também da imprensa. E ele revela: “Algumas pessoas choraram nas exibições em Cannes”. No Reino Unido,
Colin foi exibido num pequeno circuito e será lançado em DVD. “O público que não é formado pelos meus amigos é o que mais me assusta e, até agora, a reação deles ao filme tem sido boa”, observa Price, que exibiu
Colin pela primeira vez num festival no Reino Unido somente com filmes de zumbis. “É meio triste conseguir um distribuidor somente depois de exibir em Cannes. É triste pensar que existem milhões de filmes feitos por aí que nunca veremos porque um distribuidor decidiu que não merecem ser vistos”. Por isso, Price diz adorar festivais de filmes, pois é neles que os espectadores conseguem ter acesso a produções que, se dependessem de distribuidores, poderiam não ser vistos.
“Mas a reação que mais me anima é dos possíveis cineastas, que veem
Colin e se sentem encorajados a fazer seus filmes, percebem que é possível fazê-los. Quero fazer as pessoas entenderem que é realmente possível contar histórias no cinema. Distribuição sempre é difícil e a única razão de termos é que chamamos atenção da mídia e, por isso, as pessoas viram o filme, foi crescendo como uma bola de neve. Quero que as pessoas vejam meu filme”.
Depois de tanta visibilidade, Price tem um novo projeto:
Thunderchild, que começa a ser filmado em 2010, desta vez com a ajuda de Helen Grace, uma produtora profissional. A história é sobre um grupo de militares que fica preso dentro de um avião quando ele cai. Mas tudo piora quando um monstro começa a atacar os sobreviventes. Tudo filmado através das janelas, num filme que parece ser bastante claustrofóbico. “Esta história mostra como eu fico tenso ao voar”, brinca o diretor e roteirista do projeto.
Marc Price, no entanto, repete que não se considera um cineasta. Tanto que, embora esteja viajando para divulgar Colin, ainda tem um emprego numa empresa de entregas, em Londres. "Quando eu voltar daqui do Brasil, tudo voltará ao normal por lá", afirma. "Eles são bastante compreensivos, concordaram tranquilamente quando disse que ficaria mais uma semana afastado do trabalho por causa desta viagem ao Brasil", explica Price, que não tem planos de abandonar seu trabalho para se dedicar totalmente ao cinema. Não no momento.
Nesta sexta-feira (13/11), a partir das 21h, Price conversará com o público após sessão de
Colin, dentro do 4º Cinefantasy – Festival Curta Fantástico. Afinal, o diretor está no Brasil a convite do evento, que exibe em São Paulo até domingo (15/11) produções de horror e fantasia. A sessão seguida de debate tem entrada franca e será realizada na Sala Luiz Sérgio Person, na Biblioteca Viriato Corrêa (rua Sena Madureira, 298).