Foto: Angélica Bito
O primeiro longa-metragem dirigido por Roberto Moreira foi
Contra Todos, de 2004. O diretor estreou no cinema num filme intenso, violento, pesado, calcado nas misérias humanas e ambientado na periferia de São Paulo. Cinco anos depois e alguns trabalhos na TV depois – como as séries
Cidade dos Homens e
Antônia -, Moreira volta à direção de longas em
Quanto Dura o Amor?, um filme mais delicado, mas de emoções também intensas.
“Queria fazer um filme que falasse de uma jovem de classe média que passa por uma desilusão”, explica o diretor em conversa com o
Cineclick. “É um filme de formação, uma pessoa que cresce. Brinco que é um filme de classe média para a classe média.” Moreira compara seus dois longas: “Por um lado, foi legal, adoro
Contra Todos, mas tinha uma certa especificidade. Neste filme, queria o contrário, que o espectador de classe média entrasse no filme, tive vontade de filmar personagens mais cativantes.”
A ideia de
Quanto Dura o Amor? nasceu em 2004, logo após
Contra Todos: “No final de
Contra Todos, a Soninha não tem uma conclusão definida. O que você faz depois que tem seu pai morto nos braços? Não faz nada. Tentamos várias histórias, teve um roteiro muito bom no qual o Nuno [vivido por Paulo Vilhena] era traficante e a Soninha acabava presa, mas queria um filme baixo astral. Se estou falando do meu universo, tenho de falar de menos elementos espetaculares. Chamei a Ana [Muylaert, corroteirista], expliquei esse problema para ela e começamos a construir essas várias histórias.”
O longa foi filmado com outro nome,
Edifício Jaqueline, mas virou este que entra em circuito somente na ilha de edição, questão diretamente relacionada ao fato de trabalhar diversas tramas paralelas, diferentes camadas: “Na hora da montagem a gente descobre um monte de problemas porque, no fundo, a arquitetura do
multiplot é muito complicada”, explica o cineasta.
Quanto Dura o Amor? estreia sexta-feira (2/10).
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