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Foi uma decisão audaciosa a de fazer com que o tema principal deste
3º CineBH fosse as co-produções. A qualidade que predomina nesse tipo de produção é abaixo da crítica, como ilustra com precisão o longa de abertura do evento,
Ensaio Sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles.
Há ainda, como forma de ilustrar o evento com co-produções internacionais, a participação de dois filmes desiguais:
Independência, de Raya Martin, e
Menino Peixe, de Lucía Puenzo.
O primeiro tem sido supervalorizado pelos festivais que passou. É uma espécie de filme-símbolo de uma ideia do que pode passar com sucesso por um festival. Chega a incomodar a limpidez da imagem, o brilho artificial dos planos, que por sinal mostram uma floresta superficial que pode ser considerada o maior achado do filme.
As referências de Raya Martin são diversas. Com Guy Maddin compartilha o desejo de voltar ao primeiro cinema, à época das descobertas da linguagem. Martin coloca, por exemplo, o sonho do protagonista dentro do plano, com um destaque esfumaçado, acima de sua cabeça.
Existe, também, uma conexão clara com Alain Resnais, que já declarou preferir a filmagem em estúdios, porque assim ele tem o controle total sobre a luz. A floresta artificial de Martin se completa com uma pintura no fundo do cenário, pintura claramente fake. A tempestade, assim, pode fulgurar com intensidade, porque foi criada para tanto.
Independência é um filme que, a despeito de certo cálculo ostensivo, se desenvolve bem, com algumas boas sacadas, especialmente nesse retorno às trucagens inaugurais do cinema.
Já
Menino Peixe retira da diretora Lucía Puenzo a impressão de potencial que seu
XXY sugeria. O filme é todo equivocado, com um desenrolar cada vez mais constrangedor, e não ajuda que todos os personagens sejam construídos com uma superficialidade limitadora. É um dos piores exemplos de quão ruim pode ser o cinema argentino.