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Marc Maurer, presidente da Federação Nacional de Cegos, revelou à agência
Associated Press que a organização pretende protestar contra o filme
Ensaio Sobre a Cegueira na sexta-feira (3/10), quando o longa será lançado nos Estados Unidos.
Maurer, que é cego, afirmou que o cenário apresentado no filme - no qual pessoas cegas são colocadas em quarentena em um asilo - "retrata cegos como monstros. A cegueira não transforma pessoas decentes em monstros", declarou.
Na adaptação do livro homônimo escrito por José Saramago, que conta com Julianne Moore (
Hannibal), Mark Ruffalo (
Zodíaco), Alice Braga (
Cinturão Vermelho), Danny Glover (
Manderlay), Gael García Bernal (
Babel) e Sandra Oh (
Esperança e Preconceito) no elenco, uma inexplicável epidemia chamada de "cegueira branca" (já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa) surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país.
À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo estado começam a falhar, as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.
Segundo a Federação, o longa reforça estereótipos incorretos. "Nós enfrentamos uma taxa de 70% de desemprego e outros problemas sociais porque as pessoas não acham que a gente possa fazer nada. E esse filme não ajuda em nada", conta Christopher Danielsen, porta-voz da entidade.
O estúdio
Miramax divulgou um comunicado oficial, no qual afirma: "Ficamos entristecidos em saber que a Federação Nacional de Cegos planeja protestar contra o filme". O diretor Fernando Meirelles (
O Jardineiro Fiel) não foi encontrado pela agência.
Danielsen ainda contou que a entidade começou a planejar o protesto quando sete pessoas da Federação - das quais três não eram cegas - foram assistir ao filme. "Todos se ofenderam", afirmou. Segundo a agência, a cegueira é usada como uma metáfora no filme.
A
Miramax ainda diz no comunicado que o diretor brasileiro "trabalhou com dedicação para preservar as intenções e a ressonância do aclamado livro", que é descrito como "uma parábola corajosa sobre o triunfo do espírito humano quando a civilização entra em ruínas".
"Acho que a falta de compreensão entre todos é um problema significativo. E acho que associar isso à cegueira é incorreto", declarou Maurer, discordando das falas do estúdio. Ele ainda diz que o protesto será o maior nos 68 anos de história da associação, que conta com 50 mil afiliados nos Estados Unidos.
Ensaio Sobre a Cegueira ficou em terceiro lugar nas bilheterias brasileiras deste fim de semana e já acumula R$ 3,8 milhões desde sua estréia no país. O longa abriu o Festival de Cannes deste ano e dividiu os críticos especializados.