Dentro da programação deste sábado (22/11) no 41º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o curta-metragem Minami em Close-Up, do estreante Thiago Mendonça, foi de longe o trabalho mais inventivo e empolgante. Com muito humor e esperteza, a produção parte da trajetória da revista Cinema em Close-up - que nos anos 70 tornou-se um sucesso de vendas publicando fotos de atrizes em poses sensuais -, editada por Minami Keizi, para contar algumas histórias dos filmes da Boca do Lixo e seus personagens, contando com depoimentos e cenas de alguns longas produzidos nesse prolífico momento do cinema brasileiro a partir dos anos 60.
Ao olhar para o passado, Minami em Close-Up traça alguns pontos ainda pertinentes quando se discute o cinema nacional, bem como a relação entre espectadores e realizadores de cinema. Com uma linguagem inventiva, que acompanha as produções da Boca do Lixo - movimento cinematográfico bastante aceito popularmente, mas sempre renegado no sentido artístico -, o curta-metragem soou como um sopro de criatividade em meio às outras produções exibidas na quarta noite de mostra competitiva no festival.
Em debate realizado no dia seguinte à exibição, Mendonça falou sobre a questão do machismo no cinema da Boca do Lixo, que fica fora da discussão proposta pelo curta-metragem. "Não somente os filmes dessa época eram machistas, mas o Brasil é machista. Temos de pensar essas questões de um modo mais amplo", afirma o diretor. "O entendimento que temos do popular na década de 70 é diferente hoje", continua o diretor. "Procurei não fazer apologias", conclui.
A exibição de Minami em Close-Up na noite de sábado (22/11) foi precedida pela produção local Ana Beatriz, de Clarissa Cardoso. O filme - baseado no conto homônimo de Juliano Cazarré - acompanha um dia na vida da protagonista que dá nome ao curta. A narração, no entanto, fala sobre Paulo Roberto numa premissa de que os personagens foram feitos um para o outro. As imagens acabam revelando mais do que a própria narração em off. É um curta interessante, mas ingênuo e pretensioso, mesmo quando não parece ser.
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