09/06/2009 17h06
TINHA QUE SER VOCÊ
Nota Cineclick
Celso Sabadin
Tinha que Ser Você

De vez em quando, algum produtor de Hollywood ainda se lembra que não são apenas os adolescentes que vão ao cinema. E decide criar um entretenimento digno para o público de meia idade. É o caso do emotivo Tinha que Ser Você, romance que deu a Dustin Hoffman e Emma Thompson indicações ao Globo de Ouro.

Ele vive Harvey Shine, um nova-iorquino divorciado que viaja até Londres para o casamento de sua filha. E ela interpreta Kate Walker, uma solteirona inglesa que trabalha no aeroporto londrino. Sim, é claro que eles vão se conhecer e se apaixonar, mas saber disso não é o mais importante do filme. O que conta mesmo é saborear como tudo vai acontecer. E em que intensidade.

O filme é deliciosamente escrito e dirigido pelo inglês Joel Hopkins, praticamente um estreante. E a produção é supreendentemente norte-americana. O advérbio de surpresa vem do fato de que Tinha de Ser Você tem ritmo, humor, diálogos e tempero tipicamente britânicos. Ou seja, pelo visto deixaram o tal Hopkins trabalhar com liberdade. Bom para quem gosta de um filme dirigido sem pressa, onde os protagonistas têm tempo suficiente para seus diálogos, onde não há a necessidade de uma trilha sonora insistente e incessante. Bom para quem sabe apreciar os silêncios, os olhares e as sutilezas como expressões dramáticas, e para quem não se importa se o roteiro não trouxer nenhum momento bombástico ou pirotécnico.

Tinha que Ser Você é um belo romance maduro, para um público maduro, interpretado por um elenco maduro. Tanto que em determinados momentos chega a lembrar o clássico Tarde Demais para Esquecer, talvez como um tipo de homenagem ou referência ao antigo jeito de se fazer cinemão romântico. Emma Thompson está a maravilha de sempre, compondo seu personagem com um talento praticamente inigualável no cinema moderno. E Hoffman, que nos últimos anos havia ligado uma espécie de “piloto automático”, reencontra o frescor de seus trabalhos anteriores.

Sem explosões, tiroteios ou perseguições de automóveis, o filme teve apenas uma discreta bilheteria nos cinemas dos EUA, onde faturou US$ 15 milhões. Azar de quem perdeu.

Uma dica final: não vá embora do cinema assim que subirem os créditos finais. Restará ainda uma cena final envolvendo um serial killer polonês. Juro!

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Graziela - 10/09/2009 12:10
Se o filme é tão delicioso como diz no texto, por que a nota de 3,4?
VIVIANE - 26/06/2009 16:00
Eu esperava muito mais desse filme que possui um tema tão delicado e atores ótimos. Porém, o filme é parado, mal acabado e chato.
Paula Simone - 23/06/2009 22:15
Estou ansiosa para assistir este filme.Gosto dos atores, do tipo de filme e mais ainda de filmes dirigidos e feitos por britânicos, filmados em Londres (eu sei q Dustin Hoffmann ñ é britânico).Curto muito tbém as críticas do Sr.Celso Sabatin.Não as encontrei ultimamente.Aliás, não encontrei NADA neste site ultimamente.Está tudo muito confuso.Por favor arrumem o Cineclick!!!!!!meu site de cinema preferido.Está tudo embaralhado.Assim não dá.*>*
Maria Teresa - 18/06/2009 16:58
Adorei sua crítica, especialmente,"Bom para quem gosta de um filme dirigido sem pressa, onde os protagonistas têm tempo suficiente para seus diálogos, onde não há a necessidade de uma trilha sonora insistente e incessante. Bom para quem sabe apreciar os silêncios, os olhares e as sutilezas como expressões dramáticas." Eu adoro filmes com essas características, logo, tenho certeza de que não me decepcionarei! Beijos.