O Desinformante! é o quarto filme de Steven Soderberg a entrar em circuito comercial no Brasil este ano (depois de
Che,
Che – A Guerrilha e
Confissões de uma Garota de Programa). Soderberg é, de fato, um dos cineastas mais prolíficos do cenário atual norte-americano, mas seu nome tem cacife suficiente para sempre estrear nos cinemas por aqui numa onipresença quase única no circuito comercial. Neste filme, Soderberg entra no terreno dos dramas sobre crimes corporativos a partir da figura de Mark Whitacre.
Tendo como base o livro
O Informante, escrito por Kurt Eichenwald, repórter do jornal
New York Times,
O Desinformante! acompanha como o protagonista, - vivido por Matt Damon, em boa atuação – virou informante do FBI, relatando formação de cartel mundial liderada pela corporação norte-americana Archer Daniels Midland, onde o executivo trabalhava nos anos 90. Por meio de Whitacre e um pequeno grupo de agentes, o FBI descobriu um esquema montado pela empresa para roubar milhões de dólares. No entanto, na medida em que o filme avança, percebemos que o próprio protagonista tem seus segredos e não está tão limpo nesta história.
O interessante em
O Desinformante! é a forma como o roteiro se desenrola, especialmente da metade para o final, quando o filme começa a se desenvolver de uma maneira mais fluida. Por meio dos comentários em
off de Whitacre, o filme adquire um tom mais pessoal, como se ele mesmo estivesse contando a história. E é a narração que dá o tom psicológico do personagem; em suas divagações, ele mostra que pode haver algo mais profundo em suas atitudes, que ele pode ter se envolvido com essa coisa de espionagem só pra se sentir como um detetive e, assim, perde o controle dos acontecimentos. Os próprios fatos e detalhes dos golpes aplicados ao longo do filme acabam ficando em segundo plano, uma vez que a ideia de
O Desinformante é ser desenvolvido a partir do personagem, não dos crimes em si.
A trilha sonora remete a filmes de espionagem, numa forma de aproximar o espectador ao que se passava na mente do protagonista. Essa carga psicológica conferida ao personagem de
O Desinformante torna o filme interessante. Claro, filmes sobre tramas criminosas no mundo corporativo têm seu charme por si só, mas esse viés, unido à convincente atuação de Damon, aproximando o espectador à trama de uma forma notável.