13/10/2009 17h10
ESTÓRIAS DE TRANCOSO
Nota Cineclick
Angélica Bito
Estórias de Trancoso Os primeiros editais e concursos de roteiro que Estórias de Trancoso ganhou foram em 1996. Portanto, há mais de dez anos que o projeto do longa está sendo desenvolvido, mas somente agora chega em circuito. E estreia principalmente pela presença de Rodrigo Lombardi no elenco e sua súbita fama após a novela Caminho das Índias. Lombardi é o único ator profissional neste filme – que, aliás, marca sua primeira atuação em cinema, mesmo que em pequena participação -, cujo elenco é constituído por moradores da comunidade de Trancoso, no sul da Bahia.

Estritamente pesqueira, desde os anos 70 a comunidade vê aumentar sensivelmente o número de turistas. Estórias de Trancoso faz parte de uma trilogia concebida e dirigida por Augusto Sevá, que no final dos anos 70 realizou A Caminho das Índias - uma coincidência o mesmo nome da novela que tornou Lombardi famoso, no caso -, no qual mistura documentário e ficção sobre a comunidade de Trancoso. Era naquele momento em que a sociedade local tomava mais contato com o mundo urbano. Neste filme, Sevá segue analisando, por meio da ficção, as transformações sócio-econômicas pelas quais passam os moradores da comunidade de pescadores. Se antes a pesca era fonte de renda principal do local, o turismo passa a fazer cada vez mais diferença no painel econômico de Trancoso.

O grande mérito de Estórias de Trancoso é a forma como Sevá se aproveita da luminosidade e das paisagens locais para construir suas imagens. Mas a narrativa do longa é arrastada; a falta de preparação dos não-atores faz com que as histórias soem falsas, forçadas. Não existe uma unidade narrativa em Estórias de Trancoso. O filme acompanha várias histórias que se passam na comunidade, como o título deixa bem claro. O roteiro apresenta sérios problemas, como personagens que somem ou assumem posturas que não condizem. Isso sem contar que o excesso de personagens somente atrapalha para que o filme consiga ser bem resolvido.

Existe esse objetivo claro de mostrar a certa decadência tanto econômica quanto social em Trancoso por conta do crescente desenvolvimento e interesse dos turistas pela cidade baiana. Mas os personagens de Estórias de Trancoso não têm profundidade suficiente para convencer. Interpretados por locais, sem experiências anteriores na atuação, soam menos reais ainda, embora seja perceptível o interesse do diretor – também autor do roteiro – nessas transformações sociais experimentadas pela cidade; o uso de locais na ficção o aproxima do objetivo de focar a realidade em Trancoso. O tema seria muito mais interessante se abordado pelo viés do documentário. Também não ajuda ver Lombardi atuando como um italiano, falando nessa língua, especialmente porque atualmente ele é mais conhecido do que era quando o longa foi rodado. O que ajudou o filme a entrar em circuito também acaba depondo contra.
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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
EDSON FROZZA - 27/10/2009 12:31
tenho uma filha que mora la´gosto muito do luga tambem gosto muito dos filmes nacionais espero que neste filme não fantasiaão demais vou ver o filme com certesa.
Daniel Russell Ribas - 19/10/2009 14:38
Por Daniel Russell Ribas
19/10/2009

O filme Estórias de Trancoso é uma singela homenagem à cidade referenciada no título e à vida no interior do Brasil. O diretor e roteirista Augusto Sevá a retrata como um local quase parado no tempo. Mesmo com a chegada do progresso e a consequentemente solidificação como paraíso turístico, o tempo passa devagar e quase nada acontece fora do ordinário ocorre. Sevá reafirma a expressão: As coisas mudam, mas, no fundo, continuam as mesmas...

A trama é uma crônica das mudanças na realidade do lugar e de seus moradores nos últimos vinte anos. Através de um pequeno grupo de personagens, vê-se as principais modificações locais. O sumiço da representação indígena e o aumento de pessoas de fora das mais variadas origens, o fim de uma cultura quase de subsistência por outra alimentada pelo turismo, o surgimento de drogas e a influência cultural externa... Todos estes fenômenos sócio-culturais são analisados a partir da interação destes com os personagens.

Sevá, no entanto, busca uma linguagem próxima a um pseudo-documentário direto. Há uma mistura entre verdade e ficção que constantemente nos lembra da artificialidade através de elementos reais. Os atores são locais sem experiência, a locação é real (a extensa utilização de externas acentua ainda mais esta característica), e há pouquíssimas intervenções de linguagem (como trilha sonora, câmera lenta, enquadramentos fora do aberto e médio) e narrativas (sonhos, delírios, flashback), buscando o aqui e agora (som direto, trama cronológica..). Com isso, Sevá deseja permear sua encenação com o máximo de autenticidade.

É claro que esta opção se revela uma faca de dois gumes. Embora carismáticos, os atores não convencem nos momentos mais dramáticos (o mesmo vale para Rodrigo Lombardi). É nítido como alguns falam de maneira mais lenta de forma a o soarem coerentes com as sensibilidades auditivas do resto do país. O amadorismo causa uma estranha e contraditória sensação de ver pessoas de verdade sendo atores medíocres de versões de si mesmos.

A história não parece estar indo para lugar nenhum, constantemente se aproveitando dos desencontros amorosos dos personagens como artifício para manter o interesse do espectador. Nenhum deles parecem estar se movimentando e seus dilemas ficam em um lugar comum, morno. Exatamente como a rotina da maioria dos humanos no mundo real.

A única trama original e provoca curiosidade é de Tonzé (Cristiano Cabral, Nefi Tales de Souza e Claudio dos Santos), o garoto que se torna pintor naïf. Seu fascínio com a cultura indígena e sua relação com os estrangeiros proporcionam algo inédito e que muda. No entanto, isto ocorre por sua narrativa conter alguns elementos extraordinários. A opção observativa se cumpre ao destacar o contexto e esperar que o drama surja de fora para dentro, dos personagens para o filme. Se o diretor alcança o efeito desejado, ao mesmo tempo, prejudica seu trabalho como obra de ficção e entretenimento.

Felizmente, este problema não é tamanho a ponto de impedir o espectador de apreciar a obra. É justamente a despretensão na vida dos personagens que o suaviza de modo a torná-lo gostoso como uma breve brisa de vento num dia quente. E, como a brisa, é breve e se vai.

Para finalizar, vale mencionar a boa qualidade técnica do filme. O destaque vai para fotografia de Sevá e Claudio Portiolli consegue fazer Trancoso aparecer como o Éden terrestre na tela.

Estórias de Trancoso, logo, é o equivalente cinematográfico a uma conversa de comadre ou bom prato de comida baiana: é bom enquanto dura, mesmo que não muito. Então, por que não experimentar?
Luana Queiroz - 15/10/2009 12:25
O filme Estórias de Trancoso,por ser um filme feito com pouco dinheiro,é um filme muito bonito e bem desenvolvido na minha opinião,conta a estória dos moradores do municipio de trancoso de uma forma bem emocionante,o diretor acertou em cheio quando resolver mostrar para o mundo as belezas escondidas de Trancoso.Parabens Sevá pela sua determinação e coragem.Sou sua Fã.