25/10/2009 11h10
DISTANTE NÓS VAMOS
Nota Cineclick
Angélica Bito
Se em seu filme anterior, Foi Apenas um Sonho, Sam Mendes abordou uma dolorosa história de amor que seguia a cada momento rumo à tragédia iminente, em Distante Nós Vamos o diretor norte-americano trabalha com elementos mais positivos em relação ao amor, apresentando uma comédia divertida, leve, cheia de positivismo, mas não menos emocionante.

Verona (Maya Rudolph, comediante mais conhecida por seu trabalho no programa de TV Saturday Night Live) e Burt (John Krasinski, de Licença Para Casar) moram juntos, mas ela não acredita no casamento como instituição, então prefere recusar os constantes pedidos de casamentos vindos de Burt. Nem quando ela fica grávida as coisas mudam. Este não é um problema para o casal. As coisas mudam de figura de vez quando os pais dele (Catherine O'Hara e Jeff Daniels, hilários) resolvem que vão morar na Bélgica. É quando o casal fica mais perdido ainda. Assim, Burt e Verona resolvem visitar diversos amigos ao redor dos EUA e também em Montreal, no Canadá, para descobrirem qual é o melhor lugar para criarem o bebê que está a caminho. Nessa jornada, o casal encontra figuras divertidas e pitorescas, mas também descobrem que a vida adulta não é tão fácil.

Distantes Nós Vamos é um retrato perfeito de uma geração de adultos que não sabem como se comportar com todas as questões relacionadas à independência: família, dinheiro, moradia, trabalho, responsabilidades. Mas não existe uma visão crítica em relação a essas pessoas, muito pelo contrário. Mendes olha com carinho os personagens deste filme, que são adoravelmente perdidos. Enquanto Verona representa um eixo mais firme na relação; tendo crescido desde os 22 anos sem seus pais, ela parece estar mais segura nesse novo momento do casal. Burt, por sua vez, é uma criança que passou pela puberdade, mas esqueceram de avisar. E, garotas, acreditem: Krasinski consegue estar mais adorável ainda neste filme do que em The Office especialmente por essa inocência romântica de seu personagem.

O roteiro é do casal estreante Dave Eggers e Vendela Vida e, provavelmente pelo fato de serem realmente casados, são capazes de conferir uma honestidade real à jornada dos protagonistas. Distante Nós Vamos é sobre duas pessoas que têm uma única certeza na vida: querem estar juntas. Tem coisa mais pura e inocente do que isso? As coisas são mais simples do que parecem para estes protagonistas.

A busca pelo lugar perfeito faz com que eles descubram, também, que não é fácil ser adulto e ter uma família, mas é perfeitamente possível – principal diferença deste filme em relação ao longa anterior de Sam Mendes. O filme é capaz de alternar diálogos divertidos e situações engraçadas, ao mesmo tempo em que aborda questões mais profundas e existenciais. O drama e a comédia são perfeitamente dosados, fazendo com que o público encare a leveza cômica e a densidade dramática presentes no filme com a mesma intensidade e envolvimento.

Distante Nós Vamos (Away We Go), de Sam Mendes
- Dia 25/10 (domingo), Cine TAM, 21h30 (Sessão 305)
- Dia 3/11 (terça-feira), Unibanco Arteplex 1, 19h30 (Sessão 1160)
- Dia 5/11 (quinta-feira), HSBC Bela Artes – Sala 2, 21h50 (Sessão 1415)
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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Davidson Silva - 10/11/2009 19:03
Distante Nós vamos é um daqueles filmes bonitinhos de se ver. Filmes como esse geralmente apresentam personagens estranhos em situações um tanto quanto bizarras. Não que o casal pareça completamente normal, mas é que eles são cercados de tanta gente mais estranha que uma comparação chega a ser covardia.
Burt (John Krasinski, que fez O Amor Não Tem Regras e é um dos atores de The Office) e Verona (Maya Rudolph, mais conhecida por suas participações em Saturday Night Live) descobrem que vão ter um filho. Eles moram em um quarto meio apertado e sem aquecimento não por falta de dinheiro, mas pra poder ficar perto dos pais dele. Porém, os pais dele vão morar fora do país antes do nascimento do bebê. Sem motivos para continuar no casebre, eles fazem uma viagem para possíveis lugares onde podem ir morar.
Eles são personagens difíceis de serem vistos no cinema. Ambos trabalham por conta própria são realmente apaixonados e nunca sequer brigam. Então eles rumam para o Norte dos EUA, onde encontram uma ex-chefe quase alcoólatra que destrata os próprios filhos e o marido. Depois uma velha amiga de Burt que virou uma espécie de hippie que tem problemas com carrinhos de bebês. Então ex-amigos de faculdade que tentam disfarçar a tristeza fingindo serem felizes (eles nem sequer mostram o final de A Noviça Rebelde, pulando a parte dos nazistas) e terminando a jornada com o casamento arruinado do irmão de Burt.
Com opções como essas, como podem escolher o melhor lugar para morar? Talvez possa se dizer que eles se consideram superiores demais, mas são eles que vão montar a nova família. Quem melhor para decidir o que é melhor?
Krasinski e Rudolph interpretam otimamente seus papéis. Eles conseguem ser gentis não apenas um com o outro, mas com as pessoas ao seu redor. É o tipo de casal de amigos que qualquer pessoa poderia gostar de ter. Chega a ser incrível como a relação deles consegue sobreviver mesmo em meio o caos que os cercam.
É a direção de Sam Mendes (Foi Apenas um Sonho) que não está exata. O filme e o roteiro são fora do convencional. Já a direção dele não. Apesar de tentar, ele não consegue abandonar as formalidades que apresentou em seus filmes anteriores. É um filme bonitinho que pode se gostar de ver, mas se fosse mais informal poderia ser melhor.

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