22/05/2009 11h05
CANTORAS DO RÁDIO
Nota Cineclick
Heitor Augusto
Cantoras do Rádio, de Gil Baroni e Marcos Avellar, é um tributo a quatro intérpretes cujas carreiras alcançaram o ponto máximo na Era de Ouro do Rádio, período entre as décadas de 30 a 50. Com toques didáticos, o documentário procura trazer a dimensão daquele período da história brasileira.

O rádio popularizou-se nos anos 30, quando o então presidente (que se tornaria ditador em 1937) Getúlio Vargas utilizou o veículo como uma ferramenta educativa e, paralelamente, como difusor das idéias do governo (nacionalismo e ordem, concentrados no programa A Hora do Brasil). Nesse contexto, o rádio, por meio de programas de auditório como o de César Alencar, tornou-se o principal palco para os artistas, já que a indústria do disco iniciava sua solidificação.

O documentário dá voz a quatro cantoras daquele período: a espevitada Violeta Cavalcante, a charmosa Ellen de Lima, a Rainha do Baião Carmélia Alves e faladora Carminha Mascarenhas. O quarteto, na verdade, serve como trampolim para apresentar um momento do País, marcado por outras artistas até de maior repercussão, como Elizete Cardoso (Canção de Amor), Marlene (Lata D'água), Emilinha Borba (Chiquita Bacana), Dalva de Oliveira (O que será) e Isaurinha Garcia (Mensagem).

O que encanta em Cantoras do Rádio é o vigor do quarteto, a qualidade artística e a performance no palco. Cientes do potencial de criar empatia com o público, os diretores abrem o microfone para elas, filmando uma apresentação feita há três anos, no carioca Teatro Rival, no show Estão Voltando as Flores. E as musas têm de apenas fazer o que sabem: cantar.

Se por um lado as canções levam às lágrimas, as entrevistas por vezes são enfadonhas. Principalmente por causa de uma tecla que as cantoras, pesquisadores e até mesmo Chico Anysio resolvem bater incessantemente: "o Brasil é um país sem memória". Recorrendo a esse clichê (cujo fundo de verdade é apenas parcial), o documentário passa superficialmente sobre as mudanças que o País atravessou nos últimos 50 anos e reitera as lamúrias de que "antigamente, as coisas eram melhores".

Baroni e Avellar derrapam também no encerramento do filme. Como que encantados com a beleza do período e a potência de Carmélia, Violeta, Carminha e Ellen, os diretores levantam a bola para terminar o filme, mas se negam a cortá-la, tornando os últimos minutos um tanto maçante.

Os deslizes, porém, não tiram a força histórica de Cantoras do Rádio e sua capacidade de dialogar com dois tipos de público: os jovens que querem entender, por meio da música, um pouco mais sobre o Brasil; e para os mais velhos, relembrar um tempo que passou e enxergar seus valores na telona. Tanto que o filme foi aclamado na sua primeira exibição, no Festival do Rio de 2008.
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