20/10/2009 15h10
BESOURO
Nota Cineclick
Celso Sabadin
Besouro Os primeiros minutos de Besouro são assustadores. O filme começa com uma cartela explicativa que situa o ano, o local e as circunstâncias dos acontecimentos que serão vistos, recurso típico de quem prefere a linguagem verbal à cinematográfica, ou de quem não acredita na força das imagens que apresentará. Pior: a cartela, além de escrita, é redundantemente narrada. E o besouro digital que justificará (mais uma vez com uma desnecessária narração em off) o título do filme/ personagem parece aquela vinheta do CQC.

Quando abre a imagem, mais texto: “Salvador, janeiro de 1924”. Que era Salvador, e que era 1924, já sabíamos após ler as cartelas anteriores. Agora sabemos ser o mês de janeiro, fato que não terá nenhuma importância para a trama.

Felizmente, passado este susto inicial provocado pelo excesso de redundâncias, Besouro decola. A primeira má impressão rapidamente se desfaz por meio de uma narrativa forte, repleta de misticismo. Não sem antes cometer outra cartela totalmente desnecessária: “Sete dias depois...”. Mas tudo bem.

A história (ambientada em 1924, eu já tinha falado?) é baseada no caso - dizem - real de Besouro (Aílton Carmo), capoeirista dos mais hábeis que foi vítima da própria vaidade: escolhido para ser o guarda-costas de seu mestre Alípio (Macalé), jurado de morte, Besouro se descuida da função para se exibir em suas habilidades na capoeira. E, indiretamente, acaba sendo responsabilizado pela morte de seu mentor, uma verdadeira lenda vida (agora morta) do Recôncavo Baiano.

Praticamente banido pela sua própria sociedade. Besouro também é caçado pelo coronel local, atraindo para si a ira e a desconfiança de quase todos na região. Só lhe resta recorrer ao misticismo e às forças ocultas para tentar sobreviver.

Besouro traz inegáveis qualidades técnicas e plásticas. Opta por uma fotografia exuberante, é editado de forma vigorosa e sua criativa trilha sonora evita o que seriam óbvios batuques e berimbaus. Bebe em referências palatáveis ao grande público, como o western spaghetti e os filmes chineses de artes marciais. Mas acaba sendo refém de sua própria estética, vítima de seus próprios maneirismos visuais e sonoros ao cometer o grave pecado de priorizar a técnica em detrimento da emoção.

Assim como seu personagem título, o filme também cai vitimado pela própria vaidade. Mas, mesmo assim, é um entretenimento digno, embora a brasilidade do tema não se reflita na estética. Fãs de western spaghetti e de filmes chineses de artes marciais também vão curtir.

Ah, no final haverá mais cartelas explicativas.
BUSCA DE CRÍTICAS OK
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
lima - 20/11/2009 11:02
Um comercial longo demais...valeu a intenção...porém com tanto patrocinadores oficiais no filme...Besouro é mais do que foi mostrado....mas estamos à caminho...
Dione Cynthia - 15/11/2009 19:25
Gostei bastante do filme, da história, da atuação dos personagens principais, VALEU BESOURO. Creio que o importante é OCUPARMOS O NOSSO ESPAÇO e deixarmos REGISTRADO A NOSSA HISTÓRIA e as NOSSAS CONQUISTAS, por mais demoramas, que possam acontecer.
Marta - 14/11/2009 15:40
Amei! Claro, exageros e redundâncias a parte. Mas... qual filme hoje em dia é perfeito? Qual não se perde um pouco do enredo e não tem um genero exato? Então Besouro tem suas perculiaridades perfeitamentes perdoáveis. Ótima produção, mesmo chamando estrangeiros para certas coreografias clichê chinesas, belas fotografias. E conta a história de nosso povo. Não sou baiana, sou carioca assumida. Mas esse povo tem uma bela história. Dega-se de passagem a a Conjuração Baiana fez o que a independência do Brasil nao fez. Além da Conjuração Baiana, outro tema q acho q daria um bom filme brasileiro seria a Inconfidencia Mineira. Duas lutas de nosso Brasil que merecem respeito!
Jairo Pantoja - 14/11/2009 12:37
Ótimo filme. A história é que é meia confusa. Nota 08.