15/10/2009 11h10
ARRANCA-ME A VIDA
Nota Cineclick
Sérgio Alpendre
Arranca-me a Vida O cinema de novo rico que está sendo feito no México é motivo para alegria de produtores locais e tristeza para os espectadores mais exigentes.

Nove entre dez filmes feitos no país lidam com o lugar-comum da dramaturgia como se tivessem descoberto a pólvora, fazendo com que este nosso cinema global tupiniquim pareça bom em comparação.

É o que podemos comprovar com Arranca-me a Vida, sofrível drama dirigido por Roberto Sneider, sobre uma adolescente que se casa com um general e descobre que sua vida, ao invés de melhorar e atingir novos horizontes, fica enclausurada pelo machismo latino e pelo poder e carisma encarnados pelo militar, candidato a governador.

O fato desse general não ter se revelado um brutamontes nojento durante o filme, mesmo depois de ter o seu poder ampliado, é um pequeno trunfo. Podemos até entender por que ela permanece com ele, apesar de amar outro homem e de não concordar com algumas de suas posturas políticas. Pena que tudo o mais cheira a cálculo, a cinema de qualidade, a um filme que parece ter apenas um olho na bilheteria, outro nas platéias que representam o tão temido e limitador "bom gosto" (entende-se, aqui, uma noção de bom gosto que entende como tal o que já está estabelecido como bem filmado, bem roteirizado, bem fotografado, em suma, a técnica acima de qualquer coisa).

Mesclando fortes doses de erotismo soft, trilha genérica, reconstituição histórica caprichada e fotografia chique, além das habituais imagens de cartão postal e de uma voz em off que parece saída de algum comercial de absorvente, cada minuto de Arranca-me a Vida se assemelha, especialmente na primeira metade, a uma temporada na mais tenebrosa masmorra medieval (ou o que se pensa ser uma temporada em lugar assim). Depois melhora um pouco, mais pelas possibilidades da história do que pela direção de Sneider ou pela produção inflada. Mas o estrago já estava feito.

Enquanto bobagens como esta aparecem, inúmeros grandes filmes ficam distantes deste nosso pobre circuito cinematográfico. O que surge de bom é exceção, de uma regra cada vez mais desanimadora.
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