08/06/2009 16h06
APENAS O FIM
Nota Cineclick
Angélica Bito
Cartaz Apenas o Fim

Quando Apenas o Fim foi exibido no Festival do Rio de 2008, o filme fez certo barulho: “Você viu aquele filme dos moleques da PUC que custou R$ 8 mil?”, era o que se comentava entre uma sessão e outra no festival. No último dia, o longa deixou de ser “aquele filme de R$ 8 mil” para se transformar em Apenas o Fim, um filme feito por jovens para jovens, coisa rara no cinema brasileiro. E muito bem-vindo, aliás.

A estrutura é simples: filmado em HD, com locações na PUC do Rio de Janeiro, o filme acompanha as últimas horas do relacionamento de Adriana (Erika Mader, sobrinha de Malu Mader) e Antônio (Gregorio Duvivier, de Podecrer!). Ela chega na faculdade onde estudam dizendo que tem uma hora antes de ir embora para um local misterioso. Nessa última hora, o casal relembra momentos triviais da relação – como conversas sobre Power Rangers, Tamagochis, Mário Bros. e outras coisas da cultura pop que o pessoal de vinte e poucos anos, como os personagens e o próprio diretor (19, na verdade, quando ele escreveu este roteiro), tem como referência próxima.

Em Apenas o Fim, os personagens conversam o tempo todo, relembrando o relacionamento que tem hora para acabar. Triste, mas tratado com dignidade. Afinal, o fim não precisa ser aquele sofrimento de choros intermináveis e afins, tão clichê quando se fala do fim de um romance, mas sim a possibilidade de novos amores. É isso que a gente espera, especialmente quando é jovem como os protagonistas. Nada mais, nada menos.

Apenas o Fim pode ser simples, mas em momento nenhum é raso, superficial, pelo contrário, graças ao texto de Matheus Souza, que flui de forma extremamente natural na atuação de Erika e Duvivier, tão à vontade falando do que conhecem: amor e cultura pop. O resultado é um filme leve, divertido, de texto rápido, que lembra Woody Allen, os filmes de amor de Richard Linklater e, sobretudo, Domingos de Oliveira. Não à toa, o cineasta carioca praticamente adotou Matheus Souza, amizade que ainda promete muito para o cinema brasileiro.

Apenas o Fim é apenas o começo da carreira de um cineasta que promete. Expectativas e comparações à parte, é de um delicioso filme que emociona, sobretudo, e envolve o espectador, lidando com sentimentos universais, mesmo que ele já tenha passado há tempo demais dos 20 anos.

MAIS CRÍTICAS DESSE FILME
Celso Sabadin
BUSCA DE CRÍTICAS OK
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Flávia - 12/06/2009 00:30
Um bom filme, regado á risos, mas tratando de forma natural um rompimento, boa pedida para que não sabe como terminar uma relação