29/10/2009 17h10
A 40ª PORTA
Nota Cineclick
Heitor Augusto
Nos corredores dos intervalos de sessões da Mostra, vira e mexe alguém me pergunta: “E aí, você já viu aquele filme do Azerbaijão?”. Depois de responder inúmeras vezes “não”, resolvi conferir o que A 40ª Porta propõe.

É um filme sobre um garoto adolescente que perde repentinamente o pai e é abruptamente empurrado para obrigações de adulto. O cenário é uma vila pobre, que parece à deriva, sem prefeitura ou poder oficial. Terreno para que os menos pobres exerçam fascínio (e medo) nos mais pobres.

A engrenagem que move o espírito da direção de Elchin Musaoglu é o Bom Selvagem de Jean-Jacques Rosseau: “o homem nasce bom e a sociedade o corrompe”. No mínimo, é inocente conduzir um filme no século 21 apenas com esse olhar.

Há uma sequência de situações que é uma grande tentação para Rustam (Hasan Safarov) sair do caminho da virtude e passar para o lado dos desonestos. A 40ª Porta se sustenta com essa dualidade.

Isso gera momentos muito legais e momentos que simplificam demais o que é o ser humano. Rustam tem de ir para a escola, mas precisa trabalhar para comer. Apesar das chances de se desumanizar, o garoto tenta, a todo o momento, evitar a perda da inocência e do amor. Ou seja, da humanidade.

Uma sequência do filme representa isso com extrema habilidade: para se defender dos meninos que insistem em cobrar pedágio para que ele possa lavar carros, ele tenta incorporar a lógica da selva. Porém, cai a ficha de que não passa de ilusão o bordão “os mais fortes sobrevivem”. Ponto para o filme.

Agora, é uma simplificação da realidade colocar, nas entrelinhas de A 40ª Porta, que ou o homem está aqui, o Bem, ou está lá, o Mal. E os atos dúbios? Sem contar que o filme se encerra com uma irritante culpa cristã.

A 40ª Porta segue a cartilha de como filmar corretamente para contar uma história”. Seu maior mérito está no caráter humano de seus personagens. O principal defeito é reduzir a dois lados a complexidade humana.

A 40ª Porta (40-CI QAPI), de Elchin Musaoglu
Quarta-feira (28/10), às 18h10, no Reserva Cultural 1 (Sessão 575)
Sábado (31/10), às 14h30, na Cinemateca – Sala BNDES (Sessão 882)
Terça-feira (3/11), às 17h50, no Espaço Unibanco Pompéia 2 (Sessão 1229)
Quarta-feira (4/11), às 16h10, no Multiplex Marabá 2 (Sessão 1345).
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